
Três corpos encontrados no sábado foram levados para o município de Almerim, no Pará. Os quatro resgatados neste domingo foram levados para Macapá em aeronave do governo do Pará.
Até agora não se sabe o número de pessoas que estava a bordo da embarcação e nem o número de desaparecidos. Não há lista de passageiros. Uma central para recebimento de informações foi criada no domingo para recolher depoimentos de familiares e tentar fechar uma lista com nomes de quem viajava no barco.
A embarcação, de porte médio, naufragou no Rio Amazonas próximo à localidade conhecida como Boca do Rio Jari, região sul do Amapá, a 290 quilômetros de Macapá. Informações preliminares apontavam que o barco, que tem capacidade para 242 pessoas, navegava com 60 passageiros ao afundar. Um inquérito foi aberto para apurar as causas do naufrágio.
O navio Anna Karoline III saiu do Porto do Grego, em Santana (AP), na sexta-feira, às 18h, com destino ao município de Santarém, no Pará, onde deveria chegar as 6h deste domingo. Mas pouco antes das 5h da manhã de sábado, afundou. A embarcação faz parte da frota da Erlon Rocha Transporte LTDA, mas estava alugada para Paulo Márcio Simões Queiroz.
A Capitania dos Portos no Amapá foi informada do naufrágio duas horas depois. À Capitania, o comandante da embarcação relatou que o acidente foi causado por forte ventania que fez com a embarcação virasse e os passageiros caíssem na água. Vários deles foram resgatados por um balsa que passava no local.
O trecho onde aconteceu o naufrágio dificulta as buscas, pois as águas são escuras e há muita correnteza.
O governo do Estado do Amapá auxilia a Capitania dos Portos no resgate às vítimas com duas aeronaves - um helicóptero e um avião Cessna - e dois médicos e um enfermeiro. Um centro de informação e acolhimento às famílias vítimas do naufrágio está sendo montado no quartel dos bombeiros de Santana.
O governo do Pará também está auxiliando a Capitania dos Portos com duas aeronaves que fizeram neste sábado o transporte de oito sobreviventes para Santarém e de quatro sobreviventes para Macapá neste domingo.
Dezoito mergulhadores do Pará e Amapá fazem as buscas na região. A partir de agora os corpos resgatados serão levados para Macapá em aviões do governo do Pará.
Comitê
A Prefeitura de Macapá montou um comitê para auxiliar sobreviventes do naufrágio e familiares dos mortos e desaparecidos. O comitê é formado pelas as secretarias de Gabinete, Secretaria de Zeladoria Urbana, de Assistência Social, entre outras.
A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semast) já iniciou o apoio às famílias enlutadas, assegurando as condições necessárias aos sepultamentos, com auxílio funeral.
A secretária de Assistência Social, Mônica Dias, disse que 25 urnas funerárias já foram entregues pela Prefeitura para a equipe de resgate. "Vamos continuar ajudando o governo do estado no que for preciso", ressaltou.
Ela confirmou que não existe uma lista de passageiros, portanto é praticamente impossível saber quantas pessoas estavam na embarcação e quantas estão desaparecidas. Sobreviventes atendidos por esse comitê contaram que havia mais de cem passageiros e que acreditam que cerca de 40 que estavam na área vip - que é toda fechada e climatizada - não conseguiram sair, e devem estar mortos dentro do navio, bem como os que estavam em camarotes.
O subsecretário municipal de Assistência Social, Max Yataco, contou que dez pessoas (oito adultos e duas crianças) da família da sua cunhada estavam na embarcação e apenas quatro conseguiram se salvar: o pai, a mãe e dois tios.
Segundo esses sobreviventes, tudo aconteceu em questão de segundos. O navio barco para ser abastecido por outra embarcação e de repente começou a virar, sem dar tempo aos que estavam na área vip e nos camarotes saírem. Segundo esses sobreviventes, havia cerca de 110 pessoas no barco. "O tio da minha cunhada contou que o navio saiu com poucas pessoas do porto mas foi pegando passageiros nas comunidades. Ele disse que havia muita carga no navio e que já estava navegando com problemas, fazendo zigue-zague", contou Yataco.
O Corpo de Bombeiros ainda não informou se além dos seis corpos resgatados até o inicio da tarde deste domingo outros foram encontrados. O local do naufrágio é de difícil acesso e comunicação.
O governo do Pará está enviando para o local um técnico para instalar antena a fim de viabilizar comunicação e internet no local do acidente. Esse técnico saiu do município de Breves (PA) no domingo mas só deve chegar ao local nas primeiras horas desta segunda-feira.






