Segundo Mourão, ou corta gastos ou cria imposto para programa - Sergio LIMA / AFP
Segundo Mourão, ou corta gastos ou cria imposto para programaSergio LIMA / AFP
Por ESTADÃO CONTEÚDO
BRASÍLIA - Um dia após adotar discurso mais ameno em relação à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo falso, em que um homem apontava risco de desabastecimento no Brasil e criticava a postura de governadores O conteúdo da gravação foi desmentido pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, por autoridades de Minas Gerais e por moradores de Contagem, onde a filmagem foi feita. Políticos reagiram, pedindo mais cautela ao presidente em suas publicações na internet. Por fim, Bolsonaro apagou o post e se desculpou.

"Quero me desculpar, não houve uma devida checagem do evento. Acontece", disse o presidente em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da TV Band.

No vídeo, o homem mostrava a falta de produtos na Ceasa de Contagem e dizia que "a culpa é dos governadores", que, segundo ele, querem "ganhar nome e projeção política a custa do sofrimento da população". Acompanhado da gravação, compartilhada no Twitter, Facebook e Instagram, Bolsonaro escreveu: "Não é um desentendimento entre o presidente e alguns governadores e alguns prefeitos. São fatos e realidades que devem ser mostradas Depois da destruição não interessa mostrar culpados".

"Quem não tem dinheiro passa fome. Mas quem tem dinheiro, mas não tem o que comprar, também passa fome. E não vamos esquecer não, a culpa disso aqui é dos governadores, viu?", afirma o protagonista do vídeo, mostrando imagens de um galpão quase vazio. "O presidente da República tá brigando incessantemente para que haja uma paralisação responsável. Não paralisar todos os setores, quem não é do grupo de risco voltar a trabalhar, ok?"

Limpeza

Logo após a postagem de Bolsonaro, usuários apontaram ser mentira que a Ceasa estava vazia e divulgaram vídeos que mostravam o local movimentado. A Secretaria de Agricultura de Minas informou que a gravação foi feita no momento em que o local passava por limpeza e, por isso, estava esvaziado. "A informação é inverídica. Não é permitida no momento da limpeza a permanência das caixas com os alimentos." Em nota, a CeasaMinas disse que "não há qualquer desabastecimento em seus entrepostos em razão do coronavírus".

Tereza Cristina compartilhou no WhatsApp cinco vídeos e fotos que mostravam que a situação estava normal na Ceasa de Contagem. Os destinatários foram integrantes do grupo da Frente Parlamentar da Agropecuária, a bancada ruralista do Congresso. Uma deputada do PSL pediu ajuda à ministra para convencer Bolsonaro a apagar a publicação. "Já pedi para Eduardo e Flávio (deputado e senador, filhos do presidente), mas a senhora pode ajudar também.",

À reportagem, depois da polêmica, a ministra afirmou que não há nenhuma hipótese de desabastecimento no Brasil. "Nossa preocupação hoje é trabalhar para que tenha fluxo (mais informação na pág. B6)".

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem criticado Bolsonaro, afirmou que ficou "feliz" ao vê-lo mais moderado durante pronunciamento na TV. "Mas amanheci preocupado, vendo o mesmo presidente fazer uma postagem agredindo os governadores. Em qual presidente devemos confiar?".