Falta de equipamentos de proteção é grave, diz Associação Médica Brasileira - Agência Brasil
Falta de equipamentos de proteção é grave, diz Associação Médica BrasileiraAgência Brasil
Por O Dia
Rio - O Rio de Janeiro é o segundo estado mais afetado com a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para profissionais de saúde que estão atuando no combate ao novo coronavírus, de acordo com o resultado de uma coleta virtual de denúncias feitas, no Brasil inteiro, pela Associação Médica Brasileira.
Ainda segundo a pesquisa, entre 19 de março e 2 de abril, foram 301 queixas sobre carências no Rio, número menor apenas do que o de São paulo, com 952. O total no Brasil são 2.751 registros. De com a associação médica, a situação é grave e tem provocado inúmeras iniciativas para tentar revertê-la. Recentemente, o Sindicato de Enfermeiros do Rio de Janeiro (SindEnfRJ) conseguiu uma liminar obrigando todas as OSs a disponibilizarem material de proteção para seus médicos, numa decisão dada pela juíza do Tribunal Regional do Trabalho Patrícia Lampert Gomes.
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Na prática, no entanto, ainda há uma grande confusão. Muitos profissionais continuam tirando dinheiro do próprio bolso para pagar por equipamentos que preservem suas vidas. Nesse sentido, a Câmara dos Deputados já tem um projeto de lei protocolado que autoriza médicos, enfermeiros, e outros funcionários da área médica a pedirem indenização por gastos com máscaras e luvas, entre outras peças. Se aprovada a proposta, de abrangência nacional, as despesas poderão ser deduzidas do Imposto de Renda, num total de R$ 3.500 por pessoa. As compensações poderiam ser feitas enquanto durar a pandemia de coronavírus, a contar de 26 de fevereiro.

"Esses equipamentos são fundamentais para que os profisisonais de saúde não sejam contaminados com a covid-19, mas também garantem a segurança dos pacientes, evitando a disseminação do vírus, afinal médicos, enfermeiros e técnicos atendem dezenas de pessoas por dia e podem carregar a doença de forma assintomática", avalia a deputada Clarissa Garotinho (PROS-RJ), autora do projeto.

O projeto ainda não entrou na pauta de votação e, para que isso ocorra, seria necessária vontade política, já que existem, até o momento, mais de 320 projetos apresentados por parlamentares na Câmara dos Deputados. Seria um passo importante para resolver o problema, mas mesmo assim ainda existiria outro gargalo, que veio à tona recentemente. No último dia 1 de abril, o ministro da da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, veio a público falar sobre a dificuldade de comprar equipamentos de proteção individual da China, fabricante natural, depois que os Estados Unidos adquiriram do país asiático grande quantidade de produtos.

A avaliação de todas as esferas governamentais é de que o abastecimento de EPIs se tornou uma ação prioritária no momento, para minimizar os efeitos da pandemia no Brasil. Basta observar dados de países em que a pandemia avançou mais do que no Brasil até agora: na Espanha, até o dia 30 de março, 14% das pessoas contaminadas pertenciam à àrea de Saúde; na Itália, até a mesma data, de 100 mil infectados, 6,4 mil pertenciam ao mesmo segmento. No Brasil, mais especificamente em São Paulo, 452 profissionais teriam sido contaminados somente nos hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein até a mesma data.