Moro teria prova de crimes de Bolsonaro fundamentadas por WhatsApp

Ex-ministro falou em coletiva sobre 'interferência na Polícia Federal'

Por O Dia

Sergio Moro (E), ex-ministro da Justiça, e Jair Bolsonaro (D), presidente da República
Sergio Moro (E), ex-ministro da Justiça, e Jair Bolsonaro (D), presidente da República -
Brasília - O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, tem provas documentais de atitudes criminosas cometidas pelo presidente Jair Bolsonaro e mencionadas no pronunciamento desta sexta-feira (24), quando Moro listou supostos crimes cometidos por Bolsonaro, antes de deixar o cargo. A informação foi divulgada pelo colunista Fausto Macedo, do jornal O Estado de São Paulo, e atribuída a "interlocutores do ex-ministro".

Entre as acusações, que estariam fundamentadas em mensagens de WhatsApp, está a tentativa do presidente de manter controle sobre a Polícia Federal. A experiência de duas décadas do ex-ministro na função de juiz criminal está entre os argumentos para haja respaldo oficial sobre suas palavras.
Moro rebate Bolsonaro
O ex-juiz federal Sergio Moro usou as redes sociais, na noite desta sexta-feira, para comentar as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre sua demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No pronunciamento, Bolsonaro afirmou que Moro pediu nomeação no Superior Tribunal Federal (STF).
"A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF", declarou o ex-ministro.
No discurso, o presidente comentou a saída de Moro ocorrida após a decisão do presidente de exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Ele voltou a afirmar que Maurício Valeixo quis deixar seu cargo, e disse que sua exoneração já estava acordada com Moro - mas apenas em novembro, depois que o indicasse para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente também afirmou que "nunca pediu para blindar ninguém da família" e comparou a facada sofrida durante sua campanha presidencial com o assassinato da vereadora Marielle Franco, criticando a investigação da Polícia Federal nos casos: "A PF se preocupou mais com a Marielle do que com o seu chefe supremo", afirmou.
Durante o pronunciamento, Bolsonaro reforçou sua posição de vítima, relembrando, em diversos momentos, a facada sofrida em Juiz de Fora. "Eu estou lutando contra um sistema. Contra o establishment", disse.
Bolsonaro começou o discurso relembrando a trajetória da relação entre os dois - chegando até a comentar que foi rejeitado por Moro na primeira tentativa de aproximação entre os dois, quando ainda era deputado federal. Ele disse, no entanto, que "não tem mágoas do Sr. Sergio Moro".
Em seguida, Bolsonaro fez questão de ressaltar que o ex-juiz não participou de sua campanha, e que deu autonomia - mas não "soberania" - quando o convidou para assumir o cargo de ministro, acordando seu poder de veto na nomeação de cargos-chave. "No dia que eu tiver que me submeter a algum subordinado meu, eu deixo de ser presidente da República".
"Meu compromisso é com o Brasil e com a democracia", concluiu o presidente.

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