Caça Gripen da FAB, adquirido da Suécia, faz primeiro voo no Brasil
Aeronave da FAB saiu do aeroporto de Navegantes para Gavião Peixoto
Caça Gripen E, adquirido na Suécia, faz seu primeiro voo no BrasilSgt Bianca / Força Aérea Brasileira
Por Agência Brasil
Brasília - O primeiro caça Gripen E (monoposto) brasileiro, batizado F-39E Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB), realizou hoje (24) seu primeiro voo no país, decolando do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina, para a fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP). A aeronave será apresentada oficialmente no Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, comemorado em 23 de outubro, data que marca a realização do primeiro voo do brasileiro Alberto Santos-Dumont com o 14-Bis, no Campo de Bagatelle, em Paris, em 1906. Santos-Dumont é considerado o Pai da Aviação.
No evento para o primeiro voo, o presidente da empresa sueca Saab, fabricante do avião, Micael Johansson, destacou que a chegada do Gripen no Brasil e o seu primeiro voo são marcos importantes no Programa Gripen. “Estamos orgulhosos dessa jornada ao lado de profissionais tão qualificados e comprometidos dos dois países. Nós estamos seguindo o cronograma de entrega dos caças e mantemos o nosso compromisso de longo prazo com o Brasil", externou Johansson.
Já o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider, afirmou que a Embraer vai desempenhar papel de liderança na execução do Programa Gripen no Brasil, respondendo pelo trabalho de desenvolvimento de sistemas, integração, testes de voo, montagem final e entrega das aeronaves, em apoio à operação da Força Aérea Brasileira. “Como parte da transferência de tecnologia, o Programa Gripen será uma grande oportunidade para aumentar nosso conhecimento no desenvolvimento e manufatura de uma aeronave avançada de combate", apontou Schneider, à imprensa.
A importância do compartilhamento de experiências por meio da cooperação entre Brasil e Suécia foi salientada também pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. "O Gripen aumenta a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira e impulsiona uma parceria que fomenta a pesquisa e o desenvolvimento industrial dos dois países", declarou, durante o evento.
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O comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, avalia que a chegada da primeira unidade da aeronave F-39 Gripen constitui um marco para o projeto. Ressaltou que “o F-39 Gripen, novo caça multimissão da Força Aérea Brasileira, será a espinha dorsal da aviação de caça e veio para reafirmar o compromisso da FAB em manter a soberania do país, defendendo os 22 milhões de quilômetros quadrados sob sua responsabilidade".
Programa Gripen
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A parceria entre Suécia e Brasil teve início em 2014, com um contrato para o desenvolvimento e produção de 36 aeronaves Gripen E/F para a FAB, incluindo sistemas, suporte e equipamentos. O programa de transferência de tecnologia tem previsão de execução em um período de dez anos.
Os caças brasileiros Gripen E/F são desenvolvidos e produzidos em colaboração com técnicos e engenheiros brasileiros. “Esse esforço conjunto faz parte do programa de transferência de tecnologia que visa proporcionar o conhecimento necessário para a execução dessas mesmas tarefas no Brasil”, informou a FAB. A partir de 2021, a montagem completa de 15 aeronaves começará a ser feita no país. O desenvolvimento do Gripen F, de dois assentos, está avançando no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen.
O Gripen é conhecido pela sua eficiência, baixo custo de operação, elevada disponibilidade e avançada capacidade tecnológica. Ao todo, 36 caças Gripen foram comprados pelo governo do Brasil por 39,3 bilhões de coroas suecas, valor que equivale atualmente a quase R$ 24 bilhões.
Esse valor inclui um amplo programa de transferência de tecnologia, na qual engenheiros e técnicos brasileiros estão passando por uma série de treinamentos teóricos e práticos na Suécia. Serão mais de 350 profissionais treinados. Mais de 200 já participaram desses treinamentos, relatou a Saab, por meio de sua assessoria de imprensa.
A ideia é que ao retornarem às suas empresas, as parceiras da Saab no programa, que são a Embraer, Akaer, AEL Sistemas, Atech, Saab Aeronáutica Montagens e Saab Sensores e Serviços, repassem o conhecimento aprendido e se tornem multiplicadores do conhecimento.