"Um manda, o outro obedece", diz Pazuello após crítica de Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro tentou colocar panos quentes na crise. Foi visitar Pazuello, diagnosticado com covid-19, e gravou um vídeo ao lado dele, com muitos elogios ao seu trabalho no ministério
Eduardo Pazuello, ministro da saúdeJosé Dias/ PR
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Brasília - Depois de desautorizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e cancelar a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, o presidente Jair Bolsonaro tentou ontem pôr panos quentes na crise. Foi visitar Pazuello, diagnosticado com covid-19, e gravou um vídeo ao lado dele, com muitos elogios ao seu trabalho no ministério. "Falaram até que a gente estava brigado. É comum acontecer isso daqui. Algum choque, alguma coisa, não teve problema nenhum", disse Bolsonaro na transmissão ao vivo pelas redes sociais. Pazuello, rindo, respondeu: "É simples assim: um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu?"
Ao cancelar a aquisição do que chamou de "vacina chinesa do Doria" -- em referência ao governador de São Paulo - Bolsonaro chegou a dizer que Pazuello havia sido "precipitado" ao anunciar aquele acordo. "O presidente sou eu. Não abro mão da minha autoridade". Depois, usou até a palavra "traição", replicada nas redes do "bolsonarismo raiz". Ao que o Estadão apurou, Pazuello ficou abalado com o episódio.
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Na sua fala, o presidente chegou até a chamar Pazuello de "Pazuca". Sorridentes, sem máscaras, os dois trocaram afagos e ainda pregaram o uso de cloroquina no tratamento da covid.
Pazuello afirmou ter tomado o "kit completo" de medicamentos porque sentiu muito cansaço. O general é o 12º ministro a contrair a doença. "Na terça mesmo (dia do diagnóstico) eu comecei a tomar hidroxicloroquina e annita e a azitromicina na quarta-feira", disse ele. Bolsonaro destacou, então, que o ministro é "a prova" de que os remédios funcionam.