O Rebracovid é o primeiro estudo complementar da Rede de Pesquisa Clínica e Aplicada em Chickungunya (Replick), coordenada pela Fiocruz - Divulgação
O Rebracovid é o primeiro estudo complementar da Rede de Pesquisa Clínica e Aplicada em Chickungunya (Replick), coordenada pela FiocruzDivulgação
Por O Dia
Publicado 03/11/2020 13:10 | Atualizado 03/11/2020 13:16
A Fiocruz iniciou as atividades de recrutamento do Rebracovid, estudo multicêntrico de história natural do novo coronavírus Sars-CoV-2 no Brasil, que irá descrever a progressão ininterrupta da covid-19 em indivíduos desde o momento da exposição até seu desfecho. A pesquisa estará presente em oito estados brasileiros e contará com a participação de cinco mil voluntários, divididos em quatro grupos. Envolverá seis unidades da Fundação e 13 outras instituições de pesquisa e saúde.

O Rebracovid é o primeiro estudo complementar da Rede de Pesquisa Clínica e Aplicada em Chickungunya (Replick), coordenada pela Fiocruz. Tem como objetivo caracterizar clinicamente a infecção por Sars-CoV-2 e descrever a história natural deste agravo, bem como acompanhar o período de pós-infecção para avaliar possíveis sequelas da doença. As informações serão coletadas de maneira sistemática e com representatividade regional, utilizando a rede de pesquisa da Replick nas cinco regiões geográficas do Brasil.

O pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), André Siqueira, que coordena a pesquisa, ressaltou que, por meio dos estudos multicêntricos, será possível representar os diferentes cenários nos quais a infecção ocorre e como as características podem impactar nos desfechos da doença.

De acordo Siqueira, por meio da investigação espera-se produzir evidências sobre a história natural da doença e fornecer elementos para reduzir o impacto da Covid-19 na saúde pública e economia. "No cenário atual é urgente que lacunas do conhecimento sejam preenchidas em tempo oportuno para impactar ainda nesta pandemia. Há uma diversidade importante de fatores relacionados à evolução da infecção, o que demonstra a necessidade de estabelecer coortes prospectivas que possam coletar informações e material biológico de forma sistemática", explicou.

Além do INI/Fiocruz, o Rebracovid envolve outras unidades e escritórios da Fiocruz que atuam na área de pesquisa, como o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), a Plataforma de Medicina Translacional da Fiocruz (Ribeirão Preto/SP), o Instituto Gonçalo Moniz (Bahia), a Fiocruz Rondônia e a Fiocruz Mato Grosso do Sul.

Voluntários

Todos os participantes do estudo passam por avaliação clínica e laboratorial minuciosa, incluindo a testagem para infecções por vírus respiratórios e outras condições consideradas relevantes à pesquisa. Aqueles com diagnóstico confirmado de Covid-19 serão acompanhados pelas equipes nos centros do Rebracovid por até um ano. Serão também realizadas análises laboratoriais sofisticadas para melhor entender a resposta imune e inflamatória do corpo humano à Covid-19, bem como buscar testes que possam predizer o risco de um indivíduo evoluir para a forma grave ou não.

Biorrepositório
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O estudo prevê a criação de um biorrepositório, que será constituído por um banco organizado de material biológico humano e suas informações associadas, coletados e armazenados para fins de pesquisa. "O biorrepositório Rebracovid contará com variados tipos de amostras, não só do participante, como também de seus contactantes, com o diferencial de que todas as informações clínicas estarão associadas às amostras, auxiliando na interpretação dos dados", destacou Siqueira.