Muro foi contruído na região do bairro Santa Ifigênia, em São PauloReprodução/TV Globo

A Prefeitura de São Paulo construiu um muro com 40 metros de extensão na região do bairro Santa Ifigênia, oficializando o isolamento de frequentadores da Cracolândia do comércio do centro da capital paulista. A obra substitui tapumes de madeira que estavam instalados desde o início de 2024, formando um cerco triangular na área.
A construção, 2,5 metros de altura, fica localizada na Rua General Couto Magalhães, perto da estação da Luz. O quarteirão da Rua dos Protestantes, que é perpendicular à Rua General Couto Magalhães, já estava isolado por grades instaladas pela Prefeitura.
Em nota ao O DIA, a gestão municipal argumenta que a troca foi feita porque os "tapumes eram quebrados com frequência, oferecendo risco de ferimentos" a essas pessoas. Além do muro de alvenaria, foi feita uma substituição do piso da área ocupada. A medida faz parte de uma ação de assistência à saúde da atual gestão na Cena Aberta de Uso (CAU).
"Não há confinamento. Pelo contrário. Para garantir a segurança, acesso e atendimento às pessoas que ocupavam o terreno público, a Prefeitura retirou os tapumes do lado da Rua dos Protestantes, abrindo a área. O trecho ao lado da Rua Couto de Magalhães foi mantido para proteção das mesmas em decorrência do fluxo de veículos na via e circulação nas calçadas", afirma.
A construção do muro é criticada por entidades que trabalham com dependentes químicos na região. A ONG Craco Resiste afirma que a obra foi feita sem aviso prévio e sem a participação da população, além de acusar a Prefeitura de "confinar" os frequentadores.

A organização também diz que a área não possui banheiro ou ponto de água potável próximo e que os frequentadores são submetidos a revistas coletivas constantes.
Roberta Costa, da Craco Resiste, acredita que o muro foi levantado para manter os usuários no espaço e "cobrir" a visão da Cracolândia para quem passa de carro.

"A gente vive hoje na cidade uma cena absurda e bizarra de violência contra as pessoas que estão desprotegidas socialmente. É uma coisa que não vem de agora, já faz muitos anos que o poder público viola essas pessoas", afirmou.

Para Roberta, a situação só piorou: "O que a gente viu acontecer no ano passado está num nível muito bizarro, que, inclusive, parece visualmente um campo de concentração".