Envolvidos foram presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Conclusão do Comprova: O vídeo investigado mostra trecho da apresentação do rapper Sonho durante a 2ª Marcha Transmasculina de São Paulo, realizada no dia 30 de março, em frente ao Masp, na Avenida Paulista. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat-SP), o evento aconteceu na mesma data e região do ato contra a anistia aos presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes. No entanto, não há relação entre as duas manifestações.
A gravação foi publicada originalmente no perfil do Ibrat no Instagram. O post, compartilhado no dia 31, identifica o nome do evento e a participação do artista. O show de Sonho fez parte da 2ª edição da marcha que, desde 2024, ocupa as ruas de São Paulo para denunciar a negação de direitos à população trans, como o acesso à saúde, emprego e educação, além da violência contra a comunidade.
A concentração da marcha ocorreu em frente ao Masp, onde Sonho se apresentou. O local fica a 2,3 km de onde os manifestantes contra a anistia dos presos pelo 8 de janeiro se reuniram, na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista. No próprio vídeo e em outros registros fotográficos do evento, é possível identificar que o trio do artista está no vão do museu.
Enquanto a marcha foi organizada pelo Ibrat, a manifestação contra a anistia foi promovida pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, organizações políticas associadas à esquerda brasileira, e convocada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). Segundo o Monitor do Debate Político no Meio Digital, formado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), o ato reuniu 6,5 mil pessoas.
Inicialmente, a manifestação contra a anistia, em São Paulo, aconteceria no vão do Masp, mas o ponto de concentração foi alterado devido à realização da Marcha Transmasculina, que já estava agendada.
O Comprova buscou contato com o autor da publicação, mas o X não permite o envio de mensagens.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. No X, até o dia 2 de abril, o vídeo acumulava mais de 180 mil visualizações e mil comentários.
Fontes que consultamos: Busca reversa de imagens por meio do Google Lens, ferramenta que ajuda a descobrir se determinada foto já foi publicada antes na internet e em qual contexto. Além disso, foram consultadas publicações do Ibrat sobre a Marcha Transmasculina. O Google Maps foi usado para calcular a distância entre o local onde ocorreu o show e a manifestação contra a anistia.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: Outras iniciativas de checagem como Estadão Verifica e Aos Fatos publicaram que vídeo mostra apresentação em Marcha Transmasculina, e não um ato contra anistia. Além disso, são recorrentes posts que tiram vídeos de contexto. O Comprova já explicou que vídeo é tirado de contexto para dizer que trechos da Bíblia serão banidos de redes sociais e que vídeo de queima controlada é tirado de contexto para negar o aquecimento global.
Notas da comunidade: Até a publicação desta verificação, não havia notas da comunidade publicadas junto ao post no X.
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