Tarcísio de Freitas não quer deixar seu futuro político nas mãos de Bolsonaro Francisco Cepeda / Governo do Estado de SP

São Paulo - O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria tomar no máximo até o fim deste ano a eventual decisão de convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para substituí-lo nas eleições de 2026, sob risco de o chefe do Executivo estadual não aceitar o chamado "em cima da hora". Bolsonaro está inelegível por decisão da Justiça Eleitoral até 2030.
"Acho que o presidente Bolsonaro tem de tomar essa decisão até o final deste ano, até para que não aconteça algo de última hora", disse Ramuth. "Aliás, se a gente fizer um paralelo, como aconteceu com o Lula lá atrás, que levou a sua candidatura até os dias finais e ali na hora que foi constatado pela Justiça Eleitoral que ele não poderia participar, o Haddad entrou... E o governador Tarcísio, conhecendo o perfil dele, o dia a dia, ele gosta de fazer as coisas e gosta de fazer bem feito, isso ele não aceitaria", acrescentou.
O vice-governador declarou ainda que, embora tenha críticas ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhece a força do petista em uma corrida presidencial e sabe que será uma "eleição complexa". As declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil, anteontem.
Registro
Em 2018, quando Lula estava preso e inelegível, mas, mesmo assim, manteve seu nome na disputa até que o registro de candidatura fosse rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fernando Haddad foi o nome escolhido para substituí-lo. A decisão, no entanto, ocorreu menos de um mês antes do pleito, no último dia do prazo dado pela Corte eleitoral para o partido escolher um substituto.
"O plano (de Tarcísio) é a reeleição, mas, claro, eu sei que na política nem tudo o que queremos é aquilo que se consolida. Pode existir, eventualmente, uma decisão do Bolsonaro que convoque o governador para essa missão", declarou o vice-governador.
Tarcísio tem se saído bem tanto nas pesquisas de satisfação sobre o atual governo, quanto nas intenções de voto em uma eventual campanha para a Presidência no próximo ano. Entre os nomes mais oxigenados pela direita para substituir Bolsonaro, é ele quem fica na frente em cenários sem o ex-presidente e contra Lula, mas ainda não bate o petista.
O governador já afirmou em conversas reservadas que não vai se desincompatibilizar em abril do ano que vem (prazo máximo para quem concorrerá nas próximas eleições sair do atual cargo que ocupa) porque não quer perder o controle sobre o próprio destino. O governador avalia que não há garantia de que Bolsonaro indicará um nome para substituí-lo na eleição presidencial de 2026 com tanta antecedência.
Neste cenário, o governador acredita que a desincompatibilização é um risco que não vale a pena ser corrido. Mesmo inelegível, Bolsonaro tem declarado que tentará registrar sua candidatura presidencial até o último momento, o que significa esticar a corda até o início de agosto do próximo ano.
Preparativos
Aliado de Bolsonaro, o presidente do PP, Ciro Nogueira, também defendeu uma definição ainda em 2025. Em entrevista à Rádio Eldorado, ontem, o senador afirmou que o ex-presidente precisa indicar quem deverá disputar a eleição presidencial de 2026 pelo seu grupo político.
Na avaliação do presidente do PP, uma definição ajudaria nos preparativos para a campanha caso o escolhido seja alguém que esteja exercendo um mandato agora. O senador afirmou que essa decisão só ficaria para o ano que vem se o escolhido for alguém da família de Bolsonaro.
Bolsonaro está inelegível desde junho de 2023, quando o TSE condenou o ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, pela reunião com embaixadores em que atacou o sistema eleitoral do País, sem apresentar nenhuma prova. Em outubro do mesmo ano, ele foi condenado mais uma vez, por abuso de poder político durante o feriado de 7 de Setembro em 2022, por usar a data para fazer campanha eleitoral, segundo o entendimento dos magistrados.
Ciro Nogueira afirmou, ainda, ser favorável à saída do governo Lula dos quatro ministros que são do União Brasil e do PP. Os dois partidos anunciaram nesta semana a formação de uma federação, chamada União Progressista, que terá a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado.