Ex-coordenador de inteligência da PRF confirmou o uso político da corporação nas eleiçõesDivulgação/PRF
Adiel foi ouvido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como testemunha de acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados.
Segundo o ex-coordenador, houve ordens de ex-diretores da PRF para as blitze de policiamento direcionado e cobrança para que ônibus fossem parados pelos policiais. "Estavam criando uma polícia de governo, e não de Estado", afirmou.
O ex-coordenador também disse que parte do efetivo da PRF não concordava com o vínculo que foi criado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Grande parte do efetivo não via com bons olhos esse vínculo com a imagem do ex-presidente. Ele participava de motociatas com motocicletas da PRF e postava mensagens das apreensões da PRF", comentou.
Relatórios
Ao ministro Alexandre de Moraes, Vieira disse que ficou "apavorado" ao tomar conhecimento que os levantamentos eram feitos para embasar as blitze ilegais. "À época, eu fiquei apavorado porque uma habilidade técnica foi utilizada para uma tomada de decisão ilegal", afirmou.
O depoente também confirmou que foram realizadas operações em cidades "sem relevância de fluxo de trânsito". “O que aconteceu no segundo turno, eu sabia que ia acontecer. Por raciocínio, não por provas”, comentou.
Depoimentos
Após os depoimentos das testemunhas, Bolsonaro e os demais réus serão convocados para o interrogatório. A data ainda não foi definida.
A expectativa é de que o julgamento que vai decidir pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus ocorra neste ano.
Eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Núcleo 1
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
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