Piauí - A arqueóloga Niède Guidon morreu, aos 92 anos, em São Raimundo Nonato, no Piauí, na madrugada desta quarta-feira (4). Ela é considerada uma das maiores pesquisadoras da história do país. A causa da morte ainda não foi divulgada.
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A obra da profissional ajudou a mudar a percepção sobre a presença dos seres humanos nas Américas. Ela liderou escavações na região do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, onde foram descobertas pinturas rupestres de cerca de 35 mil anos.
Nascida em 1933, formou-se em história pela Universidade de São Paulo (USP), em 1959. No início da década de 60, Niède, que era franco-brasileira, concluiu o doutorado na Universidade Paris-Sorbonne, na França, com uma tese sobre as pinturas rupestres do Piauí. Ela defendeu que o povoamento do continente americano aconteceu há mais de 50 mil anos.
A arqueóloga foi responsável por criar a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), em São Raimundo Nonato.
Em nota, o Parque Nacional da Serra da Capivara afirmou que "Niède foi uma das maiores defensoras do patrimônio histórico brasileiro. Dedicou sua vida à pesquisa e à preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí — onde revelou ao mundo pinturas rupestres que mudaram o que se sabia sobre o povoamento das Américas".
Em outro trecho, a rede social do parque publicou que "sua trajetória deixa um legado imensurável para a ciência, a cultura e a memória do nosso país. Seu nome está eternamente gravado na história".
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, que também é ex-governador do Piauí, homenageou a pesquisadora nas redes sociais.
"O Brasil perdeu hoje uma de suas maiores referências em ciência, cultura e compromisso com o povo: a arqueóloga francesa Niède Guidon, que faleceu aos 92 anos em São Raimundo Nonato, no Piauí", escreveu.
"Tive a honra de encontrá-la em diversas ocasiões. Uma mulher firme, forte e com grande capacidade de diálogo. Defensora da ciência, da cultura e do desenvolvimento sustentável do semiárido", disse na sequência.
O Brasil perdeu hoje uma de suas maiores referências em ciência, cultura e compromisso com o povo: a arqueóloga francesa Niède Guidon, que faleceu aos 92 anos em São Raimundo Nonato, no Piauí. pic.twitter.com/K68skyvc2J
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