LuLa em entrevista ao JNReprodução TV
Lula reage à tarifa de Trump e ameaça retaliação comercial: 'inaceitável'
Presidente diz que medida é inadmissível, promete recorrer à OMC e aplicar a Lei de Reciprocidade a partir de agosto, se necessário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como "inadmissível" a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada por Trump nesta quarta-feira (9), foi vinculada a processos judiciais em andamento no Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — associação considerada por Lula como uma tentativa inaceitável de interferência em assuntos internos do Brasil.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Lula afirmou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, caso não haja acordo, o Brasil adotará retaliações previstas na Lei de Reciprocidade, sancionada por ele em abril. As contramedidas, segundo o presidente, poderão ser aplicadas já a partir de 1º de agosto, data em que a nova tarifa entra em vigor.
Sem esconder o desconforto com o tom e a forma como o anúncio foi feito — por meio de uma publicação no site de Trump —, Lula criticou o comportamento do americano, que, segundo ele, tem adotado uma postura desrespeitosa desde o início do mandato. “Essa é a hora de mostrar que o Brasil quer ser respeitado no mundo. O Brasil não tem contencioso com ninguém e não aceita desaforos”, afirmou. O presidente declarou ainda que o país está buscando diálogo com empresários do setor exportador e analisando novos mercados.
Questionado sobre o impacto de suas declarações durante a cúpula do Brics, na semana passada, Lula minimizou a conexão entre os episódios. No evento, o presidente defendeu a soberania dos países do bloco e mencionou a possibilidade de realizar transações comerciais sem depender do dólar, o que foi mal recebido por Washington.
Lula também comentou sobre a visita que fez à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção, e negou que o gesto tenha qualquer relação com o episódio. “Foi uma visita humanitária. O que não aceitamos é que um presidente estrangeiro tente dar palpite sobre decisões da nossa Justiça”, afirmou.
Apesar das críticas, Lula não descartou a possibilidade de procurar Trump diretamente para discutir o tema. “Se for necessário, eu ligo. Mas não vou aceitar provocação pública sem resposta.”

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