Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio BolsonaroReprodução
Na convicção do ex-presidente, ele teria condições de barrar essa investigação e as tarifas de 50% impostas ao Brasil. "Acho que teria sucesso uma audiência com presidente Trump. Estou à disposição", disse. "Se me der um passaporte, negocio."
O ex-presidente teve o documento retido em fevereiro de 2024, em operação da Polícia Federal na investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro diz que Eduardo é ‘mais útil’ nos EUA
Bolsonaro também disse que o filho dele, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conduz negociações com o governo Trump e pode ser um ativo importante para barrar a tarifa de 50% aos produtos brasileiros. "Ele é mais útil lá do que aqui", afirmou.
Eduardo está nos EUA desde março deste ano na tentativa, segundo o próprio deputado, de obter sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A licença parlamentar de Eduardo acaba neste domingo, 20, e ele não pode mais renová-la. Caso continue nos Estados Unidos, o deputado licenciado pode perder o mandato por falta. À Coluna do Estadão, o filho "03" de Bolsonaro disse que vai abrir mão da cadeira na Câmara.
O ex-presidente também afirmou, que, caso perca o mandato, Eduardo terá oportunidades ainda em solo americano. "Ele tem portas abertas no governo Trump, conhece dezenas de parlamentares e está trabalhando pela nossa liberdade", disse.
Para Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não conseguirá negociar a tarifa com Trump. "Não vai ser uma pessoa isolada. Louvo Tarcísio, mas não haverá negociação com um Estado apenas. É com o Brasil. E está na cara que ele (Trump) não vai ceder", disse.
Bolsonaro esteve no Senado nesta quinta-feira e visitou o gabinete do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ex-presidente estava acompanhado de uma pequena comitiva de parlamentares do PL, entre eles o líder da sigla na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ).
Após ameaçar o Brasil com tarifas de importação de 50% a partir de 1º de agosto, o governo Trump resolveu aprofundar as retaliações comerciais. Nesta terça-feira, 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) iniciou uma investigação sobre o Brasil, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Questionado sobre a percepção da população de que ele é o responsável pelo tarifaço de Trump, o ex-presidente rechaçou a ideia: "Eu sou o culpado? Ele está fazendo com o mundo todo".
Para 72%, Trump está errado ao impor as novas taxas aos produtos brasileiros sob o argumento de que há perseguição judicial a Bolsonaro, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16. Apenas 19% acreditam que ele está certo.
O ex-chefe do Executivo reforçou a inocência no caso da tentativa de golpe de Estado e apostou nas eleições a essa Casa legislativa em 2026 para intensificar o confronto com o Poder Judiciário.
"Há interesse enorme nas eleições para o Senado. Queremos um Senado forte para equilibrar os Poderes", disse.
A PGR pediu a condenação de Bolsonaro por cinco crimes: liderança de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem chegar a 43 anos de reclusão.
"Não tem nada que me vincule a esses atos. Pessoas inocentes presas. Me parece que foram presas para justificar a minha prisão. Quarenta anos de cadeia. Está sendo feita justiça comigo?", questionou Bolsonaro, acompanhado do filho e de deputados do PL.
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