Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal FederalMarcelo Camargo/Agência Brasil
O discurso de Fux foi em junho de 2024, durante o julgamento que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal. Na ocasião, ele disse que os ministros do STF não são “juízes eleitos” e que “o Brasil não tem governo de juízes”, referindo-se aos políticos brasileiros, que “empurraram” a decisão para o Judiciário, o que teria causado uma exposição do STF.
“Essa prática tem exposto o Poder Judiciário, em especial o STF, a um protagonismo deletério, corroendo a credibilidade dos tribunais quando decidem questões permeadas por desacordos morais que deveriam ser decididas na área política”, afirmou Fux na ocasião.
Para o ministro, o Poder Judiciário acaba arcando com um alto custo social por ser acionado com frequência para resolver questões que outras instâncias não solucionam. Ele destaca que, por não serem eleitos e não prestarem contas diretamente ao eleitorado, os juízes acabam se tornando o destino final de demandas que deveriam ser resolvidas em outras esferas. O ministro já tinha feito essa observação quando tomou posse da presidência do STF, em 10 de setembro de 2020.
A fala de Moraes, por sua vez, é de 14 de setembro de 2023. Ele criticava o advogado Hery Kattwinkel, que defendia o réu Thiago de Assis Mathar, posteriormente condenado pelos atos de 8 de janeiro com pena de 14 anos.
Na ocasião, o ministro chamou Kattwinkel de “patético e medíocre”, afirmando que ele subiu à tribuna do STF com um “discurso de ódio para postar nas redes sociais”. Portanto, a fala de Moraes não teve nenhuma ligação com o ministro Luiz Fux.
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
O conteúdo do perfil está alinhado à própria apresentação da usuária: são frequentes as postagens em apoio a figuras da direita brasileira, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em contrapartida, a página também costuma veicular críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O vídeo analisado é uma reação a uma postagem do perfil “No Centro da Política”, que publica conteúdos com uma roupagem noticiosa voltados para temas políticos. Entretanto, o perfil também costuma satirizar figuras públicas associadas à esquerda e destacar positivamente personagens da direita. Entre as manchetes publicadas, estão: “DETONOU: Jornalista faz pergunta maliciosa e é detonado por Flávio Bolsonaro” e “PIADA [emoji de palhaço]: Lula implora contato com Donald Trump”.
O vídeo alcançou 115,6 mil visualizações e, até o momento desta verificação, registrava 9 mil curtidas, 2 mil republicações e 123 comentários. O Comprova tentou entrar em contato com o perfil responsável pela publicação, mas não conseguiu, pois a conta está configurada para não receber mensagens privadas.
Por que as pessoas podem ter acreditado
Outro fator que torna o vídeo convincente é o uso de uma comentarista que reage às falas com entusiasmo e ironia, reforçando o julgamento emocional do espectador. Quando Moraes fala, ela o chama de “patético”; quando Fux fala, ela aplaude. Com isso, a mulher atua como mediadora da interpretação, guiando a audiência a adotar o mesmo ponto de vista. Esse tipo de reação encenada ajuda a manipular a percepção do público, reforçando a credibilidade de uma narrativa falsa.
O vídeo também apresenta uma frase que diz “HISTÓRICO: ‘pior do que não saber direito é um juiz que não tem coerência’. Fux detona Moraes e vídeo viraliza”. Termos como “Histórico” e “Fux detona Moraes” são hiperbólicos e apelam para o senso de urgência e conflito, o que aumenta a sensação de que algo grave está acontecendo.
Fontes que consultamos: Reportagens publicadas por veículos jornalísticos e vídeos dos discursos dos ministros do STF Luiz Fux e Alexandre de Moraes.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: O UOL Confere verificou que Fux não criticou ministros do STF e sua fala é anterior à posse de Trump, assim como o Aos Fatos mostrou que vídeo em que Fux afirma que “Brasil não tem governo de juízes” é anterior à eleição de Trump. A AFP concluiu que Fux não anulou seis processos de Jair Bolsonaro até maio de 2025.
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