O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na CâmaraFoto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) procurou voluntariamente a polícia italiana antes de ser detida nesta terça-feira (29), em Roma. Segundo o parlamentar, ela iniciou um processo para solicitar asilo político e tentar impedir sua extradição ao Brasil.
Em mensagem enviada a jornalistas, Cavalcante disse ter conversado com o advogado da deputada, que confirmou a iniciativa. “Ela se apresentou espontaneamente às autoridades para dar início ao pedido de asilo político e de não extradição. Agora, caberá à Justiça italiana analisar o caso”, declarou.
A narrativa do líder do PL contrasta com a versão divulgada pelo deputado italiano Angelo Bonelli (Europa Verde). Nas redes sociais, Bonelli afirmou ter informado à polícia a localização de Zambelli, o que teria levado à prisão. “Ela estava em um apartamento em Roma. Passei o endereço às autoridades e a identificação foi imediata”, escreveu.
De acordo com fontes da Polícia Federal (PF) no Brasil, os agentes italianos não encontraram resistência durante a abordagem.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão e à perda do mandato por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo as investigações, ela teria atuado junto ao hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na plataforma, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Dias após a condenação, a deputada deixou o país pela fronteira com a Argentina e viajou para a Itália, onde possui cidadania. Desde então, o governo brasileiro tentava a extradição, que ainda dependia da cooperação das autoridades italianas.