Distrito Federal - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se manifestou neste sábado (2) sobre a prisão de seu tio, Gilberto Firmo Ferreira, em Ceilândia (DF), sob a acusação de armazenar e compartilhar pornografia infantil. Após audiência de custódia, ele recebeu liberdade provisória, mas seguirá respondendo ao processo.
A presidente do PL Mulher, que está em missão no Pará, afirmou ter recebido a notícia com "indignação e profunda tristeza". Em nota divulgada à imprensa, ela repudiou veementemente o suposto envolvimento do parente com crimes contra crianças.
"Trata-se de um crime vergonhoso, não somente por sua gravidade, mas principalmente porque fere profundamente a dignidade humana de crianças e adolescentes", declarou.
Michelle destacou que não mantém qualquer tipo de relação ou convivência com o tio há mais de 18 anos, apesar do laço familiar. Ela considerou a conduta "lastimável, revoltante e repugnante" e disse que, se comprovadas as acusações, espera que ele "receba integralmente o peso da justiça, com as punições e penas previstas para esse crime tão deplorável".
Afirmando ser uma defensora intransigente da proteção das crianças e dos mais vulneráveis, a ex-primeira-dama ressaltou que luta pela responsabilização exemplar de quem pratica qualquer tipo de crime ou violência contra elas, incluindo parentes.
"Rejeito com veemência qualquer tentativa de atrelar meu nome ou minha reputação pessoal e profissional a atos praticados por terceiros, parentes ou não. Cada pessoa é responsável e deve responder, individualmente, por seus atos. Nisso consiste a individualização de condutas e penas prevista em nossa legislação", argumentou.
A ex-primeira-dama reafirmou que seguirá firme para proteger os vulneráveis, defender os valores e construir um país mais justo e com igualdade de oportunidades para todos.
Entenda o caso
O tio de Michelle Bolsonaro foi preso na última sexta-feira (1º) por armazenamento de material de abuso sexual infantojuvenil. Gilberto Firmo, 52 anos, foi detido em Sol Nascente, em Ceilândia, Distrito Federal.
Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), cumprido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Durante a ação, foram encontrados, no celular de Gilberto, vídeos e fotos de abuso sexual de crianças e adolescentes, o que levou à sua prisão em flagrante.
Como Gilberto é surdo, a PCDF solicitou à Secretaria da Pessoa com Deficiência um intérprete de Libras para auxiliar na tomada do depoimento. Durante a oitiva, ele afirmou que "apenas recebia o conteúdo pornográfico em um grupo com sete pessoas".
Foi por causa da perda de audição do tio que Michelle Bolsonaro se especializou em Língua Brasileira de Sinais.
Gilberto começou a ser investigado por envolvimento com pornografia infantil depois que a Polícia Federal (PF) constatou que seu e-mail era usado para compartilhar o conteúdo criminoso. No depoimento, ele alegou não utilizar mais esse endereço eletrônico.
Segundo a investigação, ele é suspeito de fazer upload e compartilhar centenas de arquivos com imagens e vídeos de exploração sexual infantil na internet.
A defesa de Gilberto, representada pelo advogado Samuel Magalhães, confirmou a prisão, mas disse que ainda não acessou o inquérito policial nem ao conteúdo apreendido.
"Qualquer manifestação conclusiva será feita em momento oportuno, com base na análise técnica e responsável dos elementos constantes dos autos", disse.
Neste sábado (2), ele passou por uma audiência de custódia e recebeu liberdade provisória. Na decisão, o juiz responsável pelo caso decretou as seguintes medidas que deverão ser cumpridas por Gilberto:
- Obrigação de comparecer a todos os atos do processo; - Obrigação de manter o endereço atualizado; - Proibição de ausentar-se do DF por mais de 30 dias.
Em 2019, outro tio da ex-primeira-dama foi preso por integrar uma milícia com atuação na região do Sol Nascente, em Ceilândia.
O 1º sargento João Batista Firmo Ferreira foi um dos alvos da Operação Horus, que investiga policiais militares por crimes de loteamento irregular do solo, extorsão e até homicídio, relacionados à grilagem de terras.
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