Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa CruzEugenio Novaes/Divulgação

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (5) para comemorar a prisão domiciliar decretada contra Jair Bolsonaro (PL) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão foi tomada após o ex-mandatário descumprir medidas cautelares impostas durante investigações em curso.
“Hoje é um dia de festa!”, publicou Santa Cruz na plataforma X (antigo Twitter). Questionado por um usuário sobre qual crime teria sido cometido por Bolsonaro, o advogado respondeu que o ex-presidente praticou “traição aos cânones democráticos” e afirmou que, em um cenário ideal, a punição deveria ser uma “bala na nuca”.
O ex-dirigente da OAB interagiu com outros internautas em tom ríspido, utilizando palavrões em algumas respostas. Santa Cruz presidiu a OAB Nacional entre 2019 e 2022, tendo anteriormente comandado a seccional do Rio de Janeiro entre 2013 e 2015. Filiado ao PSD desde 2022, foi candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa de Rodrigo Neves (PDT).
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada na noite de segunda-feira (4), após o ministro Alexandre de Moraes considerar que o ex-presidente descumpriu as restrições de não usar redes sociais próprias ou de terceiros para fazer declarações públicas. As medidas haviam sido impostas em julho, quando Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal por supostamente tentar influenciar o governo dos Estados Unidos a aplicar tarifas contra o Brasil, o que Moraes entendeu como um atentado à soberania nacional.
Na decisão, Moraes destacou que o ex-presidente voltou a divulgar conteúdos em redes sociais por meio de contas de apoiadores durante manifestações realizadas no domingo (3). Segundo o ministro, Bolsonaro “ignorou e desrespeitou” ordens judiciais, agindo com “claro intuito de obstruir a Justiça” ao reiterar condutas que configurariam coação no curso do processo e obstrução de investigação envolvendo organização criminosa.
Uma das publicações apontadas na decisão foi feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que divulgou vídeo com fala do pai antes dos atos no Rio de Janeiro. O material foi apagado horas depois, alegando “insegurança jurídica”.