Deputados de oposição fazem ato tampando a boca com esparadrapo durante sessão da Câmara dos DeputadosJosé Cruz/Agência Brasil
Sessões do Congresso são suspensas após protesto contra prisão de Bolsonaro
Oposição pressiona por impeachment de Moraes e anistia a condenados do 8 de janeiro; presidentes da Câmara e do Senado pedem diálogo e serenidade
As sessões previstas para esta terça-feira (5) na Câmara dos Deputados e no Senado foram canceladas após a oposição anunciar que obstruiria os trabalhos em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na segunda-feira (4).
No Senado, o clima foi mais acirrado. Parlamentares contrários à decisão ocuparam a Mesa Diretora e colaram esparadrapos na boca em ato simbólico. Eles afirmaram que só deixariam o local quando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), aceitasse pedidos de impeachment contra Moraes e colocasse em votação um projeto para anistiar condenados pelos atos de 8 de janeiro. Alcolumbre divulgou nota criticando a ação dos senadores, classificando-a como um “exercício arbitrário das próprias razões”, e pediu “serenidade” para que “o bom senso prevaleça”.
“Precisamos retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população”, declarou o presidente do Senado.
Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) usou as redes sociais para anunciar o encerramento da sessão e disse que convocará uma reunião de líderes para rediscutir a pauta “com base no diálogo e no respeito institucional”. Durante agenda na Paraíba, ele declarou que não cabe ao Legislativo julgar decisões do STF, mas destacou que elas devem ser cumpridas.
“O legítimo direito de defesa tem que ser respeitado, mas decisão judicial se cumpre. É isso que estamos vendo agora: a decisão do Supremo sendo cumprida. Não cabe ao presidente da Câmara ou a qualquer outra pessoa tentar avaliar ou qualificar essa decisão”, afirmou.

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