O chef Léo Modesto preparou um almoço no sítio Cacau Xingu, no município de Novo Horizonte, por ocasião do Xingu Chocolat, em Altamira, no ParáAna Carla Gomes
A capital paraense, inclusive, foi escolhida para receber o evento por conta da importância da Amazônia para o equilíbrio climático, reforçando a necessidade de se preservar não apenas o clima, mas também os ecossistemas e modos de vida que dependem da floresta. Paulo, inclusive, aponta as maiores ameaças que ele enxerga à biodiversidade da região: "A especulação imobiliária agrupada à grilagem de terra, desmatamento e queimadas. Uma outra ameaça está na impunidade aos crimes ambientais, além dos baixos controle e fiscalização in loco. Por fim, é um conjunto de fatores que, somados, interferem e intensificam as ameaças ao bioma Amazônia".
Chef explica que parte do tucupi que seria descartada pode virar vinagre de limpeza
Natural de Curuçá, no Nordeste do Pará, o chef Léo Modesto, que participou do reality 'Mestre do Sabor', da TV Globo, sabe bem como é tirar diretamente da natureza a sua subsistência. É dele um relato emocionado, compartilhado durante a realização do Chocolat Xingu 2025 — que reuniu mais de 140 mil visitantes no Centro de Eventos Vilmar Soares, em junho, em Altamira — sobre um dia em que precisou alimentar os cinco irmãos mais novos enquanto sua mãe tinha ido pescar. "Não tinha a proteína, só a vinagreira no quintal. Naquele dia, a gente estava só com o café com farinha. Fui ao quintal, peguei vinagreira, chicória, alfavaca, temperei aquele caldo, coloquei urucum e farinha. Fiz um pirão escaldado para cada um", contou Léo.
Hoje, o chef está à frente de um projeto, o Maniua, que começou no Sítio Mearim. "A gente pegava insumos que eram descartados. A maioria das comunidades atua com agricultura familiar, nessa nossa região do Nordeste paraense. O que eu observei é que a maioria não tinha como escoar pequenas quantidades de tucupi (líquido amarelo extraído da mandioca). Lá atrás, comecei a desenvolver o trabalho no sítio, inicialmente em família mesmo, com a minha mãe, meu irmão e minha cunhada, agregando o pessoal do entorno. Hoje, temos 40 famílias envolvidas direta ou indiretamente no projeto. Damos treinamento para as comunidades e, posteriormente, desenvolvemos novos subprodutos da mandioca. Às vezes, não tão novos, mas a gente melhora a qualidade deles".
Léo explica ainda que nem todo o tucupi é utilizado para consumo. "Algumas vezes, uma parte desse líquido é descartada. Eu passei a mostrar para a comunidade que eles podem fazer um processo de fermentação e utilizar esse tucupi para fazer vinagre de mandioca para limpeza. Com isso, a gente conseguiu aproveitar bastante material". Esse processo ganha importância quando Léo explica que "a mandioca brava tem a maior concentração de ácido cianídrico, que pode prejudicar o meio ambiente em grandes quantidades". "Mas hoje as comunidades já têm esse conhecimento empírico aliado ao conhecimento técnico", completa.
Jiovanna Lunelli (à esquerda), à frente do sítio Cacau Xingu, no município de Novo Horizonte, ouve as explicações do chef Léo ModestoAna Carla Gomes
Produção de cacau no ParáAna Carla Gomes
Equilíbrio também é palavra presente no discurso de José Renato Preuss, de 69 anos. Nascidos no Sul do país, ele e a esposa, Verônica Preuss, de 60 anos, estão à frente de outro sítio de produção de cacau, o Kakao Blumenn, também no município de Novo Horizonte, na Rodovia Transamazônica Km 55. Ao falar de pragas que atingem a plantação, como a vassoura-de-bruxa, ele ensina: "O inseticida é pior para bicho de sangue. Se está matando o inseto, está matando a gente também".
Ao discursar na COP28 em 2023 na cidade de Dubai, no evento que oficializou Belém como a sede da COP30, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez questão de enfatizar que a COP30 será diferente de todas as outras justamente pela sua localização. "Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígena, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem", afirmou Lula.
O biólogo Paulo Amorim guia passeios pelo Rio Xingu, em Altamira, no ParáAna Carla Gomes









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