Hugo Motta disse que a guerra foi vencida sem precisar atirar Reprodução/Youtube

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou nesta sexta-feira, 8, sua conduta ante ao ato da oposição de tomar a Mesa da Casa. Motta disse que o episódio foi triste, algo que nunca tinha sido vivido, e destacou que optou pelo diálogo, "como sempre" fez.

Motta voltou a reforçar que não foram negociadas pautas para que a normalidade fosse retomada e indicou que a Mesa Diretora da Casa avalia possíveis punições aos deputados que participaram do ato.

Segundo o deputado, a Mesa vai se reunir nesta sexta para decidir sobre as punições a parlamentares que se excederam e os casos serão encaminhados ao Conselho de Ética. Motta citou que houve também casos de agressão no dia em que houve a retomada da Mesa da Câmara.

O presidente da Câmara repetiu que a guerra foi vencida sem precisar atirar. "Muitos confundem nossa ação com uma que poderia ser mais enérgica, que poderíamos ter usado a força, e estou certo que tomei a decisão correta", indicou. Ele destacou ainda que jamais agiria para usar a força física no caso, por se tratar de um movimento de parlamentares e não um movimento que estava invadindo a Casa.

Motta explicou que não estava em Brasília quando a ação da oposição começou, pois tinha uma agenda prévia na Paraíba, mas acompanhou o desenrolar durante a terça-feira e, tão logo chegou na capital federal, começou a conversar com os partidos para construir a "melhor saída possível".

O presidente da Câmara disse que o movimento da oposição ocorreu em meio a um cenário atípico no País, com uma crise em vários pontos da organização institucional, uma crise entre os Poderes e um cenário internacional desafiador.
Ação pedagógica
Motta defendeu a punição a bolsonaristas que ocuparam sua cadeira na Câmara, considerando que o ocorrido tratou-se de um "ato grave". "Temos que ser pedagógicos porque o que aconteceu foi grave. Não podemos concordar com o que aconteceu", indicou. "Até para que isso não volte a acontecer", completou.

Na visão de Motta, a oposição "extrapolou tudo aquilo que poderia ser o limite do razoável esta semana" e foi dito aos parlamentares bolsonaristas que havia um "tremendo excesso em buscar a força" para impedir o funcionamento do Senado e da Câmara dos Deputados.

O presidente da Casa baixa do Congresso repetiu que nunca tinha sido visto um movimento da forma como ocorreu nesta semana.

Questionado sobre ter se sentido desrespeitado, Motta afirmou não poder dizer que se sentiu confortável de estar vivendo aquele momento, com parlamentares obstruindo até a passagem do presidente. "Mas entendo também o momento de tensão que todos estavam vivendo. Não era um dia normal", ponderou.

Motta indicou ainda que, se tivesse usado a força policial, talvez estivesse sendo criticado porque um parlamentar ter sido agredido. Sem citá-la diretamente, o presidente da Câmara fez referência à deputada Júlia Zanatta (PL). "Tínhamos uma parlamentar com uma criança. Como você coloca a força física para retirar uma parlamentar que tem seu mandato?", pontuou.

O parlamentar ponderou ainda que, em sua avaliação, a ação da oposição, do ponto de vista político, atrapalha possíveis pautas que partidos de centro poderiam ajudar na construção. O presidente da Câmara destacou que a população espera dos parlamentares o debate, mas com respeito do regimento e da atividade parlamentar.