Anne Frank viveu escondida em um anexo de um prédio por dois anos com a família e mais quatro pessoasDivulgação

São Paulo - O maior espaço dedicado para Anne Frank do mundo ficará no centro de São Paulo. O Espaço Anne Frank e o Anexo Secreto têm inauguração prevista para janeiro de 2026 e irão dedicar 900 m² para contar a história da jovem judia que viveu durante o Holocausto e escreveu O Diário de Anne Frank, um dos livros mais vendidos da história.
A exposição imersiva será uma expansão do Memorial do Holocausto de São Paulo, no bairro do Bom Retiro, e contará com uma réplica fiel do Anexo Secreto, local onde a adolescente viveu escondida com a família e outros ocupantes em Amsterdã, na Holanda, por dois anos durante a Segunda Guerra Mundial para escapar da perseguição nazista.

O investimento no espaço foi de R$ 26 milhões, sendo R$ 2 milhões de aporte da Prefeitura de São Paulo. Para ser concebido, o projeto passou por autorização da Fundação Anne Frank, sediada na Holanda.

"A história de Anne Frank traz uma lição universal sobre intolerância e humanidade. Ao criar este espaço, queremos garantir que as novas gerações conheçam o que aconteceu para que tragédias como o Holocausto nunca mais se repitam", afirmou o prefeito Ricardo Nunes durante o anúncio da criação do espaço, nesta terça-feira (12).

O espaço integrará o circuito de museus da capital e terá programação de visitas para todas as escolas municipais. A expectativa é de receber 150 mil visitantes no primeiro ano.

A sobrevivente do Holocausto Suzana Venetianer, de 84 anos, presente no anúncio da criação do Espaço Anne Frank, defendeu um local para contar a história do Holocausto. "Com três, quatro anos, são os pais que contam o que aconteceu para a gente. Vou completar 84 anos e ainda tenho na memória tudo o que passei. Mas, daqui a pouco, não vou mais me lembrar. Esse espaço será muito importante, para ninguém esquecer tudo o que aconteceu", afirma.

Suzana esteve em um campo de concentração nazista e foi separada dos pais. "Minha mãe foi levada, meu pai foi levado. Felizmente viemos para o Brasil, esse país foi maravilhoso, onde meu marido e eu crescemos, estudamos, casamos, tivemos filhos, ganhamos dinheiro, trabalhamos e nos tornamos bons profissionais. Crescemos e ajudamos este país a crescer", diz.

Com um projeto multissensorial e curadoria de Luiz Rampazzo, o novo espaço contará com projeções, holografias e recursos tecnológicos que permitirão ao público vivenciar o cotidiano dos moradores do Anexo Secreto, aproximando a história de Anne Frank das novas gerações.

"A iniciativa reforça a missão do memorial de preservar a memória, combater o ódio e promover o diálogo, garantindo que histórias como a de Anne Frank continuem a inspirar tolerância e humanidade", afirma a organização da exposição.

O memorial, localizado na primeira sinagoga do Estado, recebe diariamente grupos escolares, visitantes individuais e profissionais de diversas áreas, oferecendo experiências imersivas e educativas sobre a perseguição e o genocídio nazista

A entrada é gratuita. Visitas poderão ser agendadas pelo site do memorial. O espaço fica próximo às estações da Luz e Tiradentes, e abrirá de segunda à quinta-feira, das 9h às 17h; às sextas, das 9h às 15h; e um domingo por mês.
Diário de Anne Frank
O livro é o registro real e íntimo da vida de Anne Frank, uma adolescente judia que viveu escondida com a família durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Entre 1942 e 1944, Anne escreveu suas experiências, reflexões e sentimentos enquanto ela, seus pais, sua irmã e outros quatro refugiados se abrigavam no anexo secreto de um prédio em Amsterdã.
O diário mostra não só o medo constante da captura, mas também os sonhos, esperanças e o amadurecimento de uma jovem diante de circunstâncias extremas. Ela tinha entre 13 e 15 anos enquanto viveu esta situação.

Em agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto, e Anne e os outros moradores foram deportados para campos de concentração. Anne morreu por uma doença infecciosa em Bergen-Belsen, no noroeste alemão, pouco antes do fim da guerra.
Seu pai, Otto Frank, foi o único sobrevivente do grupo e publicou o diário em 1947, cumprindo o desejo da filha de ser escritora. A obra se tornou um dos relatos mais emocionantes e importantes sobre o Holocausto, traduzido para dezenas de idiomas e adaptado para teatro e cinema, tocando gerações com sua honestidade e humanidade.
Com informações do Estadão Conteúdo.