Tarcísio de Freitas afirmou que está focado na gestão do estado de São PauloRafa Neddermeyer / Agência Brasil
"Sabe quanto tempo eu perco pensando nisso? Zero. Estou extremamente focado no projeto de São Paulo, extremamente focado Até porque o que nos preocupa é o legado, o que a gente pode deixar. A população confiou a nós o mandato, deu uma confiança para nós extraordinária. Sou muito grato à população de São Paulo por isso", declarou Tarcísio ao responder sobre planos para uma candidatura ao Planalto durante evento da Warren Investimentos.
Tarcísio salientou que pensar num projeto de País é mais importante do que pensar numa candidatura de centro-direita. "Meu grande objetivo é participar de um projeto que seja vencedor, um projeto que transforme esse Brasil. O piloto, pouco importa. O projeto é que é importante", disse o governador de São Paulo.
Durante o evento, Tarcísio defendeu uma agenda de desvinculação e desindexação do orçamento e revisão de benefícios tributários, junto com reforma administrativa, baseada na meritocracia, e programas de concessões e privatizações.
"Se eu gasto muito, estou comprometendo as próximas gerações. Estamos falando de aumento de imposto, de atacar produtividade e de não crescer", afirmou Tarcísio, numa crítica à política fiscal do governo federal.
Ao falar da "mística" de que o governador de São Paulo é sempre um presidenciável, Tarcísio lembrou que o último político que se tornou presidente após ocupar o posto foi Jânio Quadros, no início da década de 1960. "Esse negócio de governar Estado não é de Deus, não", brincou. 'Se fizer bom trabalho aqui [São Paulo], ajudará no projeto de Brasil'
Tarcísio também disse que vai focar em entregar um bom trabalho no Estado e "ajudar quem vai vir, quem vai ser candidato no nosso campo" da direita, no que diz respeito às eleições de 2026
"O meu objetivo agora é ajudar quem vai vir, quem vai ser candidato no nosso campo, tentar ajudar com um projeto de Brasil", disse a jornalistas, após participar do painel "Reflexões sobre São Paulo e Brasil", no evento Warren Day, em São Paulo.
Tarifaço
Tarcísio também disse que o governo de São Paulo continua estudando eventuais novas medidas para contenção de efeitos em setores atingidos pelo tarifaço. "Mas mais do que isso, continuamos fazendo contato lá nos Estados Unidos, continuamos tentando falar com alguém, sensibilizar alguém. Trabalho de formiguinha mesmo."
A grande preocupação, segundo ele, é que o Brasil perca mercados relevantes a empresas que empregam muitas pessoas, por conta do tarifaço. "Agora, eu sou otimista. Sempre otimista. Então, eu acho que vamos conseguir resolver em algum momento", disse.
"No final das contas, se eu gasto muito, eu estou comprometendo as próximas gerações", afirmou, dizendo que se um governo gasta muito, vai precisar emitir mais dívida, o que acaba mexendo com a taxa de juros, ou emitir mais moeda, o que mexe com a inflação.
"No final das contas, estamos falando de aumento de imposto quando falamos de um governo gastando mais, estamos falando de atacar diretamente a produtividade, estamos falando de não crescer. Ao fim e ao cabo, é isso", resumiu o governador.
Tarcísio afirma que um problema fiscal é a vinculação da receita ao Orçamento, que "traz uma amarra muito grande". Ele exemplifica que a Constituição Federal estabelece o piso para gasto com educação de 25%, e de gasto com saúde de 12%. Só que "de lá para cá, o que mudou?"
"População mudou, a demografia mudou. Os casais têm cada vez menos filhos, você tem uma curva decrescente de matrículas e tem que inventar despesas, às vezes, para cumprir o mínimo", disse, acrescentando que, como a população está envelhecendo, poderia flexibilizar o piso da educação para alocá-lo na saúde.
Outro ponto seria a desindexação do que é necessário, segundo o governador. "Você tem uma economia muito indexada. Algumas despesas que você aumenta, provocam um buraco grande", disse. Já o terceiro ponto, segundo o governador, é algo que já foi feito em São Paulo: a revisão de benefícios tributários.
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