Empresário Renê da Silva Nogueira Junior foi preso em uma academia horas após atirar e matar Laudemir de Souza FernandesReprodução/internet
MP quer bloquear R$ 3 mi de preso por morte de gari
Segundo a Polícia Civil de Minas, Nogueira Junior foi interrogado novamente na segunda e confessou o crime
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça o bloqueio de até R$ 3 milhões em bens, "com preferência para dinheiro em espécie ou depositado em qualquer modalidade de instituição e aplicação financeira", do empresário Renê da Silva Nogueira, investigado pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte.
O MP afirma em nota que a medida deve atingir também a mulher do suspeito, delegada da Polícia Civil, por entender que, "como dona da arma de fogo usada no crime, ela responde solidariamente pelo caso." O MP destaca ainda que o padrão de vida exposto pelo casal nas redes sociais e as trajetórias profissionais de ambos "fazem presumir a capacidade financeira para arcar com uma vultuosa quantia indenizatória". O pedido considera o risco de que, com a repercussão do caso, "o casal possa desviar parte do patrimônio, lesando o interesse legítimo dos familiares da vítima".
Segundo a Polícia Civil de Minas, Nogueira Junior foi interrogado novamente na segunda e confessou o crime. Ontem, a polícia disse que o empresário afirmou em depoimento que atirou no gari em razão de uma discussão de trânsito. Também admitiu que usou a arma particular da mulher, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, mas afirmou que ela não tinha conhecimento que ele havia se apoderado da pistola calibre .380 Antes de o empresário ter confessado o crime, exames periciais haviam confirmado que a arma da delegada foi usada para matar o gari.
Defesa abandona o caso
O empresário está preso preventivamente desde a semana passada. À época do crime, ele negou ter atirado em Laudemir. O Estadão não localizou a nova defesa do empresário. Na segunda-feira, 18, os advogados Leonardo Guimarães Salles, Leandro Guimarães Salles e Henrique Vieira Pereira deixaram o caso.
Em nota, Salles afirmou que, "após conversa reservada" com o cliente, decidiu, "por motivo de foro íntimo, renunciar a sua representação nos autos da investigação que apura a morte do senhor Laudemir".
O crime
Ao se deparar com a rua por onde transitava com seu carro parcialmente bloqueada por um caminhão de lixo, Nogueira Junior teria ameaçado "atirar na cara" da motorista do caminhão, segundo testemunhas relataram à Polícia Civil. Quando Laudemir e outros garis saíram em defesa da colega de trabalho, o motorista sacou a arma e atirou contra a vítima, atingida na região torácica. Laudemir foi encaminhado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, onde morreu.
O empresário fugiu do local do crime e foi preso enquanto treinava em uma academia de alto padrão no Estoril, bairro nobre de Belo Horizonte. A polícia indiciou Nogueira Junior por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça.
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