Lula durante encontro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Bogotá, na ColômbiaRicardo Stuckert/PR
Lula busca o engajamento dos países amazônicos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), que será lançado durante o evento em novembro, em Belém (PA). O fundo será um mecanismo de financiamento destinado a preservar esses biomas florestais, presentes em cerca de 70 países, e que são cruciais para a regulação do regime de chuvas e captura de carbono na atmosfera.
“Em toda COP que a gente vai, se toma muitas decisões e depois elas não são executadas. Poucos países se matam para tentar cumprir as decisões. Outros não dão a menor importância e outros, depois que termina a COP, negam a assinatura de acordo”, criticou Lula.
“Precisamos de uma nova governança mundial. Se a ONU é o lugar que criamos para tratar dos temas mais importantes da humanidade, é lá que a mudança do clima deve estar. Vamos trabalhar para que se crie um conselho de clima capaz de mobilizar os países a efetivarem seus compromissos”, acrescentou.
Financiamento
“Toda vez que alguém tenta me convencer que tem dinheiro para resolver esse problema, eu fico me perguntando: ‘Eu quero ver quem vai dar o dinheiro’. Porque de promessa nós estamos cheios”, declarou o presidente brasileiro, também cobrando dos países ricos metas ambiciosas de redução de gases de efeito estufa em suas localidades.
“O futuro do bioma não depende só dos países amazônicos, mas mesmo que mais nenhuma árvore seja derrubada, a floresta continuará em risco, se o resto do mundo não avançar na redução de gases de efeito estufa”, disse.
Soberania
“A gente tem que manter a floresta em pé e os trabalhadores e indígenas que moram lá, vivos. É isso que nos interessa nessa COP30, quem vai fazer o quê. Porque senão é importante a gente fazer outra coisa do que fazer as COP, gastar uma fortuna para fazer a COP e depois o resultado é quase zero”, disse.
“A gente está fazendo na Amazônia em situações [mais inferiores]... não é como Paris, não é como Dubai, não vai ser no lugar chique desse, é a Amazônia. E a gente quer que as pessoas vejam a real situação das florestas, dos nossos rios, dos nossos povos que moram lá, para a gente saber que nós temos uma tarefa quase que hercúlea para que a gente possa cuidar dessa questão climática”, acrescentou Lula.
Em seu discurso, o presidente brasileiro também fez referência às ações de governo dos Estados Unidos de enviar navios de guerra para a costa da Venezuela, no sul no Caribe, com o argumento de enfrentar ameaças de cartéis de drogas latino-americanos. Para Lula, isso é um pretexto para intervir nos países da região.
“Há muito tempo que os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem, utilizam a luta contra o desmatamento como justificativa para o protecionismo, usam o combate ao crime organizado como pretexto para violar nossa soberania. Mas está chegando o momento de mostrar ao mundo a realidade da Amazônia. Ela não é só feita de árvores, é também de gente que vive e respira todos os dias”, disse.
Crime organizado
“[O centro] é uma coisa muito importante para combater o garimpo legal, o narcotráfico, o contrabando de armas e para combater qualquer outra coisa que nos perturbe”, disse.
“O povo amazônico merece viver livre da violência. Violência que destrói a floresta e envenena as águas, que acaba com o sustento dos pescadores e dos extrativistas, que expulsa indígenas de suas terras e ribeirinhos das suas casas, que tira a vida de quem luta pela Amazônia, como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira e Dom Phillips e tantos outros”, completou o presidente.
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