O Mestre Damasceno morreu aos 71 anos em BelémReprodução/Redes Sociais
Em 22 de junho, ele foi levado a um hospital em Belém para tratar seu quadro clínico. Demasceno foi transferido para o Hospital Jean Bittar e, posteriormente, encaminhado para o Hospital Ophir Loyola, onde estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido a pneumonia e insuficiência renal.
Ainda em junho, o artista foi diagnosticado com câncer em estado de metástase no pulmão, fígado e rins.
O mestre Damasceno, nascido na comunidade Quilombola do Salvá, no arquipélago do Marajó, era conhecido como uma referência no carimbó, sendo o criador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, manifestação junina que mistura teatro popular, cultura quilombola e elementos da natureza amazônica.
Aos 19 anos, ele perdeu a visão em um acidente de trabalho e, a partir daí, teve que transformar sua vida artística com novos desafios. Em maio do ano passado, recebeu a mais alta honraria do Ministério da Cultura - a Ordem do Mérito Cultural.
O primeiro título de Damasceno foi em 1973, aos 19 anos, quando se tornou campeão de colocador de Boi-Bumbá, no município de Soure. Além disso, já recebeu o Prêmio Mestre da Cultura Popular do Estado do Pará e foi reconhecido como mestre de carimbó pelo Instituto do Patrimônio, Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2017.
O mestre ainda foi um dos homenageados da 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, junto com a escritora Wanda Monteiro. Uma das obras editadas lançadas durante o evento era “Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó”, de Antonio Carlos Pimentel Jr., com relatos de vida de Damasceno para o público infanto-juvenil.
Damasceno deixou mais de 400 composições autorais e seis álbuns gravados, sendo considerado uma força da cultura do Norte do Brasil, além de símbolo de resistência local. Coincidentemente, o artista morreu no dia 26 de agosto - o Dia Municipal do Carimbó em Belém.
Carnaval no Rio
O artista também teve passagens marcantes pelo Carnaval do Rio de Janeiro. Em 2023, desfilou na Marquês de Sapucaí pela escola Paraíso do Tuiuti, em um samba-enredo inspirado na chegada dos búfalos à Ilha de Marajó.
Já em 2025, foi um dos autores do samba da Grande Rio, ao lado de parceiros paraenses, com o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos meus Encantos nas Contas dos Curimbós", que conquistou nota máxima e rendeu diversos prêmios à escola.





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