Além de Bolsonaro, saiba quem são os réus do 'núcleo crucial' da trama golpista
Ex-presidente e outros sete ex-auxiliares, incluindo ex-ministros e comandantes militares, são acusados de conspirar para tentar impedir a posse de Lula
Ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete homens, incluindo ex-ministros e militares, são acusados de conspirar para tentar impedir a posse de Lula - AFP
Ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete homens, incluindo ex-ministros e militares, são acusados de conspirar para tentar impedir a posse de LulaAFP
Junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), outros sete homens, incluindo ex-ministros e altos comandantes militares, são acusados de conspirar para tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.
Veja, a seguir, quem são os oito acusados do 'núcleo crucial', que conhecerão a partir desta terça-feira (2) seu veredicto no julgamento da trama golpista. Todos podem ser punidos com penas superiores a 40 anos de prisão.
- O 'líder'
Jair Bolsonaro governou o Brasil entre 2019 e 2022, quando perdeu por uma margem estreita a reeleição para Lula, no segundo turno das presidenciais.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-capitão do Exército, há 70 anos, liderou "uma organização criminosa armada" para permanecer no poder apesar da sua derrota eleitoral.
Bolsonaro teria incluído "ajustado" um decreto que previa a declaração de estado de sítio; também estaria ciente de um plano para assassinar Lula.
Em prisão domiciliar em Brasília, não se espera que seja comparado ao Supremo Tribunal Federal durante a votação da sentença.
- O ajudante
Ex-braço direito de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid é um dos acusados e, ao mesmo tempo, uma fonte-chave da investigação, após um acordo de delação que poderia beneficiá-lo com uma sentença reduzida caso seja condenado.
De acordo com a acusação, Cid, de 46 anos, dedicou-se a coleção de supostas provas de fraude nas eleições de 2022.
Em seu telefone, o investigador encontrou um discurso que o ex-presidente descoberto faria uma vez consumado o golpe de Estado.
- O candidato a vice
O general Walter Braga Netto foi ministro da Defesa e candidato à vice-presidência em 2022 com Bolsonaro, com quem compartilha sua nostalgia declarada pela ditadura militar (1964-1985).
Braga Netto, de 68 anos, é acusado de ser um dos líderes da trama golpista. Segundo a investigação, discutiu em sua casa o plano chamado “Punhal Verde e Amarelo” para assassinar Lula e outras autoridades. Está preso desde dezembro por tentar obstruir as investigações.
- Modelo geral
Instruído por Bolsonaro na escola militar como ministro do aparato de segurança durante seu governo, o general Augusto Heleno Ribeiro, de 77 anos, tem uma longa trajetória política e esteve também à frente da Missão da ONU no Haiti (Minustah).
Segundo a investigação, foi um dos arquitetos dos ataques infundados ao sistema de votação eletrônica para colocar em dúvida a revisão dos resultados das eleições presidenciais de 2022.
- O ministro do decreto
Anderson Torres, de 49 anos, foi ministro da Justiça de Bolsonaro e, posteriormente, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal quando os bolsonaristas invadiram as sedes dos Três Poderes em 2023, solicitando uma intervenção militar para derrubar Lula.
Em sua casa, a polícia encontrou um rascunho de decreto para reverter o resultado das eleições.
- O ministro da Defesa
O general Paulo Sérgio Nogueira foi ministro da Defesa nos últimos meses do governo Bolsonaro. Nogueira, de 67 anos, participou de uma reunião em que Bolsonaro discutiu um plano para decretar um “estado de defesa ou de sítio” para contestar o resultado eleitoral e a especificação de uma intervenção militar.
- O comandante da Marinha
O almirante Almir Garnier Santos foi nomeado comandante da Marinha por Bolsonaro em 2021. Ele esteve presente em duas reuniões no final de 2022, nas quais o suposto plano golpista foi discutido.
Garnier, de 64 anos, apoiou a proposta de Bolsonaro e disse que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente, segundo um depoimento no julgamento.
- O chefe de inteligência
O deputado Alexandre Ramagem é um ex-policial que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.
Ramagem, de 53 anos, é acusado de orquestrar uma campanha de desinformação nas redes sociais contra os opositores de Bolsonaro e o sistema eleitoral.
Saiba os horários das sessões:
2 de setembro – 9h e 14h; 3 de setembro – 9h; 9 de setembro – 9h e 14h; 10 de setembro –9h; 12 de setembro – 9h e 14h.
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