Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)AFP
A reunião foi fechada, mas a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou o conteúdo do discurso lido pelo chefe do Executivo brasileiro.
Lula não mencionou o governo dos Estados Unidos ou o presidente norte-americano, Donald Trump, mas deixou claro em seu discurso as críticas à política comercial do republicano. Afirmou que da última cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro em julho, até hoje "vivemos um momento de crescente instabilidade".
"Está cada vez mais claro que a crise de governança não é uma questão conjuntural. Os pilares da ordem internacional criada em 1945 estão sendo solapados de forma acelerada e irresponsável. A Organização Mundial do Comércio está paralisada há anos", disse o presidente brasileiro.
Segundo Lula, a imposição de "medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições". A fala foi uma referência a imposição da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e seus efeitos para além das fronteiras norte-americanas.
A reunião acabou por volta das 11h. O encontro foi fechado, mas a Presidência da África do Sul divulgou trecho da fala do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em seu canal do YouTube.
As falas dos demais líderes não foram divulgadas. Pelo trecho divulgado pelo governo sul-africano, foi possível identificar os líderes presentes.
Além dos já citados, estavam presentes: Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, presidente do Egito; Prabowo Subianto, presidente da Indonésia; Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos; e Taye Atske Selassie, presidente da Etiópia.
Lula disse que o mundo vive uma "crescente instabilidade" e que a "iniciativa Africana e o Grupo de Amigos para a Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir por meio da promoção do diálogo e da diplomacia".
O presidente brasileiro voltou a criticar a ocupação na Faixa de Gaza promovida por Israel. Segundo ele, a ocupação merece uma "firme condenação" e o Brasil entrará como parte na ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça.
Lula defendeu também mudanças para garantir "soberania digital" e voltou a pedir regras mais duras para as big techs.
"Sem uma governança democrática, projetos de dominação centrados em poucas empresas de alguns países vão se perpetuar. Sem soberania digital, seremos vulneráveis à manipulação estrangeira Isso não significa fomentar um ambiente de isolacionismo tecnológico, mas fomentar a cooperação a partir de ecossistemas de base nacional, independentes e regulados", declarou o presidente brasileiro.
"A presença das Forças Armadas da maior potência no mar do Caribe é um fator de tensão incompatível com a vocação pacífica desta região", disse Lula na abertura da videoconferência, segundo a tradução em inglês de seu discurso.
Em meio às tensões com a Venezuela, a Marinha dos EUA enviou vários navios para o mar do Caribe para combater o tráfico de drogas, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump.

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