O quinto dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta quarta-feira (3). Até o momento, o colegiado tem placar de 2 a 1 pela condenação.
Os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino e o Luiz Fux já votaram. Ainda faltam os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado. O resultado do julgamento deve ser proclamado na sexta-feira (12). O Dia transmite o julgamento ao vivo, com imagens da TV Justiça:
Terceiro a julgar o caso, o ministro Luiz Fux levou mais de 13h para votar pela absolvição de Bolsonaro. O voto foi considerado inesperado pela plateia de advogados e deputados que compareceram à Primeira Turma para acompanhar a sessão.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
Segundo o PGR, Bolsonaro implementou um plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas, com o objetivo de prejudicar a alternância legítima de poder nas eleições de 2022. Penas para crimes atribuídos a Bolsonaro podem chegar a 43 anos de prisão.
Pesam contra os acusados a suposta participação na elaboração do plano "Punhal Verde e Amarelo", com planejamento voltado ao sequestro e assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).
Também consta na denúncia da PGR a produção da chamada "minuta do golpe", documento que seria de conhecimento de Bolsonaro e serviria para a decretação de medidas de estado de defesa e de sítio no país para tentar reverter o resultado das eleições e impedir a posse de Lula. A denúncia também cita o suposto envolvimento dos acusados com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A maioria de votos pela condenação ou absolvição ocorrerá com três dos cinco votos do colegiado.
Réus
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República; - Alexandre Ramagem - ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); - Almir Garnier- ex-comandante da Marinha; - Anderson Torres - ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; - Augusto Heleno - ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); - Paulo Sérgio Nogueira - ex-ministro da Defesa; - Walter Braga Netto - ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022; - Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
PGR pediu condenação pelos crimes
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pena de 4 anos (mínimo) a 8 anos (máximo); - Tentativa de golpe de Estado: pena de 4 anos (mínima) a 12 anos (máxima); - Participação em organização criminosa armada: pena de 3 anos (mínima) a 8 anos (máxima) – pode chegar a 17 anos, com as agravantes de uso de arma de fogo e participação de agentes públicos; - Dano qualificado: pena seis meses (mínima) a 3 anos (máxima); e - Deterioração de patrimônio tombado: um ano (mínima) a 3 anos (máxima).
Caso considerem que deve haver a condenação, os ministros avaliarão a possibilidade de somar as penas estabelecidas em cada crime.
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