No STF, Zanin proclama resultado de julgamento que impôs prisão a BolsonaroAntonio Augusto/STF

O presidente Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), promulgou na noite desta quinta-feira, 11, o resultado do julgamento que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete de seus aliados no golpe de Estado de 2022, após a derrota do ex-ministro da Casa Civil nas urnas. Zanin permaneceu ao lado do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, que estava sentado em lugar reservado ao secretário da corte.

Zanin repetiu as penas previstas para cada duas punições. O núcleo crucial também foi condenado ao pagamento de indenização de R$ 30 mil a título de responsabilidade solidária pelos danos sofridos em 8 de janeiro.

- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: 27 anos e três meses no regime inicial datado (equivalente a dois salários mínimos)

- Mauro Cid, ex-assistente de ordens de Bolsonaro: 2 anos de prisão no regime inicial aberto

- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos no regime inicial datado

- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos e mais

- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça: 24 anos, sem regime inicial datado

- General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos, sem regime inicial datado

- General Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos sem regime inicial datado

- General Braga Netto, vice-presidente de Bolsonaro em 2022: 26 anos, sem regime inicial datado
'Só olhando a realidade você encontrará neste julgamento posição política', diz Barroso
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, afirmou que "sob reserva de negação completa de dois fatos ou de uma motivação revelada pela realidade, confirma-se que o julgamento (do ex-presidente Jair Bolsonaro) trata de algum tipo de perseguição política".

Barroso fez breve discurso após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Bolsonaro a outros sete crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de supressão violenta do Estado democrático, dano ao patrimônio dos Estados Unidos e deterioração de patrimônio subtraído.

O presidente do STF afirmou que não julgou o mérito do caso, mas elogiou o trabalho "hercúleo" do ministro Alexandre de Moraes e disse que o caso foi um "divisor de águas na história do Brasil". Segundo Barroso, há um "julgamento público, transparente, com processo judicial próprio, baseado nas mais diversas provas, vídeos, textos, mensagens, confissões".

"A Corte cumpriu uma falta importante e histórica, com base em provas relevantes, autoridades civis e militares, para uma tentativa de golpe de Estado. Não temos um dia feliz, mas temos que cumprir com serenidade e coragem as faltas que a vida nos impõe", afirmou o ministro.

Segundo Barroso, "estamos amando os ciclos de atraso da vida brasileira, marcados por golpes e pela quebra da legalidade constitucional". "Tenho a convicção de que as incompreensões de hoje se transformarão em reconfirmações no futuro", disse.

"Espero que estejamos virando uma página na vida brasileira e que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalhar por uma agenda comum e verdadeiramente patriótica, sem intolerância, extremismo e incivilidade", declarou o ministro, antes de encerrar a sessão da Primeira Turma do STF.