Emmanoel Schmidt Rondon é funcionário de carreira do Banco do Brasildilson Rodrigues/Agência Senado

Dois meses e meio após a saída de Fabiano Silva da presidência dos Correios, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu o novo comando da estatal. O escolhido é Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.
Rondon já ocupou cargos de representação. Em março de 2021, foi designado membro suplente do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (CRIFF), representando o Banco do Brasil.
Fabiano Silva havia apresentado o pedido de demissão em julho, após meses de pressão para deixar o cargo. A pedido de Lula, porém, ele permaneceu interinamente até a escolha do substituto — situação inédita na estatal.
Crise financeira
A mudança na presidência acontece em um dos momentos mais delicados para os Correios. Desde 2022, a empresa acumula prejuízos sucessivos, com piora nos últimos resultados.
No primeiro semestre de 2025, o rombo chegou a R$ 4,37 bilhões, alta de 222% em relação ao prejuízo de R$ 1,35 bilhão no mesmo período de 2024. Apenas no segundo trimestre, as perdas foram de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes mais do que os R$ 553 milhões registrados um ano antes.
Na divulgação do balanço, os Correios atribuíram os números negativos a “restrições financeiras decorrentes de fatores conjunturais externos que impactaram diretamente a geração de receitas”.
A estatal apontou, em especial, a retração no segmento internacional, resultado de mudanças regulatórias nas compras de importados. As alterações reduziram o volume de postagens e ampliaram a concorrência, o que afetou as receitas da área.
De forma indireta, a empresa citou a chamada “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo Lula. Como resposta à crise, informou ter colocado em prática um plano de contingência para tentar restabelecer o equilíbrio financeiro.