Entre as 180 questões que compõem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), algumas costumam tirar o sono dos candidatos. Matemática, Química, Física e Biologia estão no topo da lista das disciplinas que despertam temor e frequentemente apontadas como as mais difíceis da prova. No segundo dia do exame, é requisitado que o aluno faça 90 questões que envolvem essas quatro áreas do conhecimento em cinco horas.
Por ser uma avaliação que demanda mais do que o domínio sobre o assunto cobrado, é preciso que o estudante tenha uma estratégia de prova para conseguir um bom resultado final. O Enem adota um modelo que avalia a habilidade do candidato. Ou seja, quer saber se o vestibulando consegue interpretar gráficos, resolver problemas e analisar dados. Por isso, muito mais do que entender o conteúdo, faz-se necessário conhecer a estrutura da avaliação e como a banca examinadora te pontua.
Teoria de Resposta ao Item (TRI)
A Teoria de Resposta ao Item (TRI) é um mecanismo usado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para evitar chutes na prova e considerar a particularidade de cada enunciado. O método leva em conta a dificuldade da questão, a possibilidade de acerto ao acaso e o poder que cada item possui de diferenciar participantes que dominam a habilidade avaliada daqueles que não dominam.
Para o professor Raphael Lopes, coordenador geral do curso de pré-vestibular Hexag, o aluno precisa ser o mais coerente possível na prova para que o modelo estatístico — o TRI — possa analisá-lo da melhor forma. Lopes enfatiza que o estudante deve responder às questões de uma maneira que seja muito fácil para a banca interpretar qual é o limite de conhecimento dele.
O docente explica que é preciso que as questões mais fáceis sejam acertadas em detrimento das difíceis. De acordo com ele, se o contrário acontecer e o candidato acabar acertando apenas as mais complicadas, o TRI vai considerar que o aluno chutou a resposta, ao invés de ter lido e pensado em qual opção marcar.
Segundo o professor, com o uso desse sistema de pontuação, é possível que participantes que responderam corretamente ao mesmo número de questões tenham notas bem diferentes. Já que o TRI leva em conta a particularidade de cada enunciado, a quantidade de pontos atribuídos por item acertado não é a mesma para todos.
"Pode ter um caso de alunos com 30 e 34 acertos, que tiram a mesma nota. Porque essas quatro questões acertadas a mais não foram claras para o modelo do TRI entender e te diferenciar do candidato que teve apenas 30 respostas corretas", explica Raphael Lopes.
Outro aspecto comentado pelo docente foi o caderno de questões. O Enem entrega a mesma prova para todos os participantes, mas com ordem diferente de enunciados. A forma de organizar os itens é aleatória, mas pode prejudicar o estudante. Isso acontece porque, dependendo do caderno que o aluno receber, as questões difíceis podem vir no início da prova, o que faz com que o candidato fique mais cansado logo no começo. "É possível que o acaso prejudique o vestibulando", complementa o professor.
Raphael Lopes é formado em Química pela UFF e leciona há 15 anos Reprodução/YouTube
Conteúdos que mais aparecem na prova
Segundo o professor Sandro Curió, influenciador digital de Educação com mais de sete milhões de seguidores nas redes sociais, na parte de Matemática do Enem, os conteúdos que mais costumam aparecer são razão e proporção, estatística, porcentagem, probabilidade, funções e geometria.
Sandro Curió já coleciona milhões de seguidores nas redes sociais, onde dá dicas de Matemática Reprodução/Instagram (@sandrocuriodicasdemat)
Já em Ciências da Natureza, mais especificamente nas questões de Química, os temas que mais caem, segundo o docente Lopes, são métodos de separação de misturas, classificação de compostos orgânicos, radioatividade, química ambiental e equilíbrio iônico.
Como obter um bom resultado no segundo dia de Enem?
Para Sandro Curió, o candidato precisa focar nas questões mais fáceis. Segundo ele, os enunciados que envolvem operações básicas, regra de três e porcentagem são os mais tranquilos de resolver.
Seguindo a lógica de priorizar sempre os itens nos quais o aluno tem mais facilidade, Lopes indica que as questões que os estudantes costumam acertar com mais frequência, em Química, são as de métodos de separação de misturas e de classificação de compostos orgânicos.
Dificuldades dos candidatos
Luis Renan Gomes Vieira, de 17 anos, relata que a matéria que mais teme, no segundo dia do Enem, é Química. "Para me preparar para o segundo dia de prova, eu só estudo Matemática e Física. Eu já desisti de Química, por ser muito difícil", explica o vestibulando.
Além disso, ele acrescenta que sua maior preocupação, no momento da avaliação, é errar alguma questão fácil. "Eu tenho medo de me deparar com uma questão que eu sei que é tranquila de resolver, mas por algum motivo, não conseguir responder da forma correta", complementa.
Luis Renan Gomes Vieira, de 17 anos, está no último ano do Ensino Médio e quer cursar Economia na faculdade Arquivo pessoal
* Matéria da estagiária Luiza Zubelli, sob supervisão de Marlucio Luna
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