Estudo aponta que 76% dos entrevistados utilizam IA semanalmente ou diariamentePixabay
O levantamento mostra que 81% dos entrevistados já testaram assistentes de voz, chatbots ou ferramentas de compras. A adesão é maior entre a Geração Z (18 a 27 anos), com 83%, seguida dos Millennials (28 a 43 anos), com 81%. A Geração X (44 a 59 anos) aparece com 66%, enquanto 51% dos Boomers (acima de 60 anos) também recorrem a assistentes digitais.
O desenvolvedor Jorge Luiz Sant’Anna, de 27 anos, é um exemplo dessa tendência. Ele utiliza o ChatGPT na versão paga para pesquisas relacionadas ao trabalho, para treinar inglês e para redigir textos mais formais. Ferramentas como GitHub Copilot, NotebookLM e Manus.AI também fazem parte de sua rotina.
"O que mais me atrai é a produtividade. Tarefas que levariam horas, às vezes até um dia inteiro, consigo resolver em poucas horas. Por outro lado, o excesso de informação pode ser prejudicial, porque nem sempre absorvemos tudo. Isso cria uma relação paradoxal: ao mesmo tempo em que ganho independência, sinto que me torno mais dependente dessas ferramentas para tomar decisões", reflete Sant’Anna.
Para a professora e vice-presidente de comunicação e marketing da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria), Elaine Coimbra, a velocidade é mesmo o principal atrativo. Segundo a pesquisa, 61% dos consumidores destacam a rapidez como característica mais útil, seguida da capacidade de apoiar a criatividade (48%).
"O brasileiro pulou a fase da desconfiança e colocou os assistentes de voz e texto no dia a dia. Hoje, pedir informação, tocar música, criar lembretes ou até controlar aparelhos ficou natural. Não é futuro distante, é agora", afirma a especialista.
Ela ressalta ainda que a IA está transformando a forma como consumimos informação:
As expectativas dos usuários também apontam para funções mais complexas: 45% gostariam de apoio na tomada de decisões, 42% em planejamento financeiro, 36% em viagens e 33% em recomendações de entretenimento. Jovens priorizam criatividade e produtividade, enquanto consumidores mais velhos dão destaque à privacidade e à segurança.
A influenciadora digital Tatiana Queiroz, de 50 anos, usa a tecnologia para planejar roteiros, organizar entregas de marcas e treinar inglês. Ela destaca principalmente a qualidade do ChatGPT na criação de textos.
"Assino a versão paga porque não tem limite de mensagens, posso carregar documentos e treinar conversação. O que mais me surpreendeu foi conseguir escrever roteiros profissionais. Recentemente fiz um trabalho para a L'Oréal, subi o briefing e recebi sugestões que foram aprovadas de primeira", conta.
Tatiana, no entanto, alerta que é preciso senso crítico.
A analista financeira Adriane C. Schneider, 48 anos, também incorporou assistentes digitais ao dia a dia, sobretudo na organização da agenda e na elaboração de e-mails e planilhas.
"Hoje sou muito mais organizada. Minha agenda pessoal está integrada com a da minha namorada e dos grupos que participo, e não perco compromissos. Me agrada a agilidade das respostas, mas me incomoda o fato de nem tudo precisar estar exposto na internet, como detalhes de exames ou uso de medicamentos."
Ela defende que as plataformas poderiam oferecer filtros de acesso para determinadas informações e admite que as ferramentas se tornaram indispensáveis:
O empresário João Paulo Ribeiro, CEO do Grupo Inove, recorre aos assistentes virtuais tanto em atividades pessoais quanto na gestão da empresa.
"Uso principalmente em operações rotineiras, como consultas rápidas ou lembretes. O diferencial é a agilidade: em situações em que não quero abrir vários aplicativos, o assistente resolve na hora", explica.
Segundo ele, os recursos também foram integrados ao atendimento da empresa, liberando a equipe para tarefas mais complexas.
Para Elaine Coimbra, o Brasil tem papel de destaque no uso da inteligência artificial, mas ainda precisa avançar na criação de soluções próprias:
Google Assistente: Já vem instalado na maioria dos celulares Android. Responde perguntas, informa clima e trânsito, cria lembretes, manda mensagens e toca músicas.
Alexa (Amazon): Dispositivo de voz popular no Brasil. Muito usada para tocar músicas, criar listas de compras, controlar eletrodomésticos e responder dúvidas rápidas.
Siri (Apple): Assistente virtual dos iPhones. Atende a comandos de voz para enviar mensagens, ligar, organizar agenda, abrir aplicativos e responder perguntas.
ChatGPT (OpenAI): Usado para tirar dúvidas, rascunhar textos, treinar idiomas, criar roteiros, ideias de conteúdo e até revisar trabalhos acadêmicos.
Gemini (Google): Parecido com o ChatGPT, gera textos, sugere ideias e ajuda a organizar informações.
NotebookLM (Google): Permite carregar documentos e fazer resumos, análises e destaques — muito útil para estudo e trabalho.
BIA (Bradesco) e Lu (Magazine Luiza): Chatbots criados por grandes marcas brasileiras. Resolvem dúvidas, oferecem serviços de atendimento e ajudam em compras.
Bots no WhatsApp: Já usados por empresas para tirar dúvidas, emitir segunda via de contas, marcar consultas e agilizar atendimentos.







Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.