Estudo teve início em 2023, antes dos casos recentes de intoxicação por metanolDivulgação / Secom

Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, desenvolveram um método rápido para identificar a adulteração de bebidas alcoólicas com metanol: um canudo que muda de cor. O dispositivo apresenta eficácia de até 97%. Agora, eles buscam ampliar a produção.
O estudo teve início em 2023, antes dos casos recentes de intoxicação por metanol e, agora, em 2025, ganhou destaque internacional, com artigos publicados em uma das mais respeitadas revistas do campo da ciência dos alimentos, a Food Chemistry.
Segundo o professor responsável pela pesquisa, David Fernandes, os estudos iniciaram com o objetivo de avaliar a qualidade dos destilados produzidos no interior da Paraíba, como cachaças. Com os recentes casos de metanol, os pesquisadores adicionaram formas de descobrir a adulteração ao programa. As informações são do "Jornal da Paraíba".
"Com esse estudo, a gente conseguiu obter uma classificação na identificação de cachaças que poderiam estar adulteradas com metanol, com outros constituintes que são participantes da destilação, como álcool superior, e tivemos uma taxa de classificação de 97%. É um resultado rápido e de baixo custo", ressaltou.
O metanol é um tipo de álcool simples, incolor e volátil, usado como solvente, combustível e matéria-prima em processos industriais. Ele é perigoso para os humanos porque, quando ingerido, inalado ou absorvido pela pele, se transforma no organismo em substâncias altamente tóxicas, como o formaldeído e o ácido fórmico, que podem causar cegueira, danos neurológicos graves e até a morte.
Casos de metanol

Conforme última divulgação feita neste domingo (5), o Ministério da Saúde confirmou 225 registros de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica no Brasil.

O número leva em consideração os casos investigados e confirmados que vêm sendo reportados pelos Estados e consolidados pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS).

Em todo o país, são 16 casos confirmados. Os outros 209 ainda estão sob investigação em 13 Estados - Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. Bahia e Espírito Santo tiveram os casos registrados descartados.

O metanol é usado como matéria-prima para combustíveis e é impróprio para consumo humano, mas estaria sendo utilizado na falsificação de bebidas alcoólicas. Os casos, que tiveram início em São Paulo, ocorreram após o consumo de bebidas alcoólicas destiladas, como gim, vodca e uísque.
* Com informações do Estadão Conteúdo