Donald Trump chamou as mudanças climáticas de "maior fraude" da História, na Assembleia Geral da ONUAFP
COP30: o desafio de uma frente climática unida em tempos de Trump
No mês passado, Donald Trump classificou as transformações ambientais como 'a maior fraude da História' em discurso na Assembleia Geral da ONU
A COP30 começa em menos de um mês, com o desafio de unir os países para garantir o combate às mudanças climáticas, apesar dos ventos contrários, principalmente devido à retirada dos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu em organizar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (10 a 21 de novembro) em Belém (PA). Ele pretende reunir coleções de chefes de Estado e de governo, mas em uma reunião de cúpula prevista para alguns dias antes (6 e 7 de novembro), para aliviar a cidade do desafio logístico imposto pela chegada de 50 mil negociadores, ativistas, especialistas e outros participantes.
Poucos líderes confirmaram até agora sua participação, em um período atual marcado por turbulências geopolíticas e econômicas que tiraram os holofotes das preocupações climáticas.
O rei Carlos III, da Inglaterra, será representado por seu filho, o príncipe William. Já o presidente da Áustria desistiu da reunião devido ao alto custo dos hotéis, questão que também compromete a participação de ONGs e países pobres, a ponto de ofuscar o conteúdo das negociações.
Lula visitou o Papa Leão XIV nesta segunda-feira (13) no Vaticano, mas o pontífice não compareceu à COP30, devido a compromissos, informou o presidente.
Países como Gâmbia, Cabo Verde e até mesmo o Japão afirmaram à AFP que planejam reduzir suas delegações. Mas o Brasil não cedeu aos apelos para transferir o evento para outra cidade, como o Rio de Janeiro, e fretou dois navios de cruzeiro, para aumentar o número de leitos em Belém.
“Eu conheço a infraestrutura de Belém”, disse Lula. Mas "a gente quer mostrar a Amazônia." O presidente destacou o avanço das obras na cidade de 1,4 milhão de habitantes, com infraestrutura limitada. E afirmou que pretende "dormir em um barco".
Desconfiança
Para finalizar os preparativos, foi aberta hoje em Brasília a reunião “pré-COP”, um encontro informal de dois dias entre ministros, que conta com a participação de 67 países.
Na reta final é "onde o verdadeiro progresso acontece. Nos próximos dias, peço-lhes para ir um pouco mais longe" em Belém, disse no encontro o secretário-executivo da ONU para a Mudança Climática, Simon Stiell.
Mas a COP30 corresponderá às expectativas, após os dois anos mais quentes já registrados e a multiplicação das ondas de calor e tempestades mortais em todo o mundo? Ao contrário das duas últimas edições, que resultaram em acordos históricos sobre combustíveis fósseis e finanças, nesta COP “não devemos esperar grandes manchetes ou acordos sobre questões importantes”, estimou Marta Torres-Gunfaus, do think tank parisiense IDDRI.
A Presidência brasileira observa uma falta generalizada de disposição para assumir novos compromissos ambiciosos, e prioriza a implementação de soluções já acordadas.
A questão financeira volta a ser um tema espinhoso. Questionado sobre a disponibilidade de recursos econômicos dos países ricos para os pobres, o presidente da COP30, André Corrêa Lago, respondeu que há "pedidos múltiplos [de aumento de recursos], promessas mais limitadas".
“Essa brecha é muito ampla, e não se vê sinais de como eliminá-la”, disse à AFP um representante de um país latino-americano. Já Victor Menotti, porta-voz da ONG Demand Climate Justice, ressaltou que "há uma profunda desconfiança entre países ricos e pobres. A última COP apenas aumentou-a."
No ano passado, a COP29 terminou com um compromisso das nações de fornecer US$ 300 bilhões (R$ 1,6 trilhão) anualmente aos países em desenvolvimento até 2035, muito abaixo do necessário.
Trump convidado
Lula, comprometido com o fim do desmatamento até 2030, mas também defensor da exploração do petróleo na costa da Amazônia, prometeu uma "COP da verdade".
Dividida, a União Europeia não conseguiu finalizar a tempo o seu novo compromisso de redução de emissões até 2035, e a China se contentou com metas mínimas. Já Lula disse que tentou em telefonema convencer o presidente americano a comparecer ao evento.
No mês passado, Donald Trump chamou as mudanças climáticas de “maior fraude” da História, na Assembleia Geral da ONU.

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