Ônibus tombou entre os municípios de Paranatama e Saloá, no Agreste de PernambucoReprodução / Redes Sociais

O ônibus, que tombou na noite de sexta-feira (17) e deixou pelo menos 17 mortos após o acidente, levava cerca de 40 passageiros, dez a mais do que o inicialmente declarado, afirmou a Secretaria de Defesa Social (SDS), em coletiva de imprensa, neste sábado (18).

Dentro do veículo, foram encontradas três listas, sendo a mais extensa com apenas 32 passageiros declarados. Embora estivesse levando mais pessoas do que o registrado, o ônibus tinha capacidade para 50 passageiros, portanto, trafegava dentro do limite permitido.

O coletivo voltava para Brumado, na Bahia, depois que o grupo fez compras no polo têxtil Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano. O número maior de passageiros leva a SDS e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a acreditar que algumas das vítimas pegaram carona no ônibus.
"A capacidade do ônibus seria de 50 passageiros, então mesmo que ele estivesse acima do que foi declarado no termo de fretamento, ainda estaria dentro da capacidade máxima. O fretamento estava dentro da validade. Tanto o motorista quanto o veículo, a princípio, estão dentro da normalidade", afirmou o assessor da PRF, Cristiano Mendonça.
"O veículo estava com mercadorias de Sulanca, principalmente de confecção. A informação é de que este ônibus teria saído da Bahia em direção Santa Cruz, lá os passageiros teriam feito compras, abastecido o veículo e, a partir daí, no dia seguinte, seria o retorno para casa", complementou.

Os passageiros que estavam no ônibus são de cidades como Monte Azul, Porteirinha, Pai Pedro e Janaúba, em Minas Gerais; e Urandi, Caetité, Caculé, Boquira, Rio do Pires, Dom Basílio, Barra da Estiva, Aracatu e Caraíbas, na Bahia.

Dos 17 mortos, 11 já foram identificados pela Polícia Civil, mas não tiveram as identidades reveladas. Os corpos identificados são os que foram levados para o IML de Caruaru. Os outros seis, levados para o do Recife, ainda não haviam sido identificados, neste sábado.

“A identificação dos corpos é feita por uma perícia necropapiloscópica, onde são coletadas as impressões digitais do falecido e isso é confrontado com o prontuário de identificação civil dele do estado de origem. Nós já obtivemos todos os prontuários da Bahia e estamos recebendo ainda os de Minas Gerais”, explicou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho

Assim que as perícias forem concluídas, todos os corpos serão levados para Recife, para que sejam retirados pela família. “Depois das perícias realizadas vamos trazer todos os corpos para Recife, por uma questão de logística, para concentrar em um lugar só, para fazer as liberações à medida que as famílias forem comparecendo para fazer a retirada dos corpos”, disse Wagner Bezerra, Gerente Geral da Polícia Científica de Pernambuco.

Após o acidente, 18 pessoas foram levadas ao Hospital Regional Dom Moura (HRDM), em Garanhuns. Até o momento:

- Um homem de 65 anos morreu na manhã de sábado (18);
- Quatro pacientes estão em terapia intensiva, sendo um em estado grave;
- Dois internados na enfermaria;
- Seis em observação na sala verde;
- Cinco já receberam alta médica.

No ônibus, dois motoristas revezavam durante a viagem. Ambos saíram com vida. Divanir Rodrigues, que dirigia no momento do acidente, disse que houve uma falha nos freios no momento em que descia a Serra dos Ventos.

“O carro vinha numa velocidade normal, tranquila. Os freios estavam bons. Quando comecei a descer a serra, o carro perdeu o freio. Eu fico muito triste, nunca passei por isso. Eu vou abandonar o serviço. Depois do que eu passei, não quero mais”, disse abalado em entrevista ao portal local “Comando Policial”.

De acordo com a PRF, o acidente aconteceu por volta das 19h45. O ônibus perdeu o controle, acessou a contramão, atingiu rochas às margens da rodovia, voltou para o sentido correto, colidiu em um barranco de areia e tombou.
"É uma via que não tem iluminação e, quando chega na Serra dos Ventos, ela começa a fica mais sinuosa, tanto que a primeira informação é a de que esse motorista teria passado por uma curva e perdeu o controle do veículo. É um local que, de fato, requer bastante cuidado e atenção de quem passa por lá", detalhou Mendonça.

Ainda não há, no entanto, informações oficiais sobre a causa do acidente. Uma perícia foi feita no local do acidente, mas outra será feita apenas no ônibus para apurar se houve realmente falha nos freios. A Polícia Civil tem 30 dias para finalizar o inquérito.

“Isso vai ficar a cargo da perícia. Através do laudo pericial a gente vai ter uma melhor condição de informar se houve ou não a falha e se o ônibus estava em alta velocidade”, afirmou o chefe de Polícia Civil de Pernambuco, Renato Rocha.