Crianças com hemofilia terão terapia menos invasiva pelo SUS Tomaz Silva/Agência Brasil
A iniciativa reuniu profissionais de saúde, representantes de associações de pacientes e gestores públicos. No estado, a ampliação representa um avanço importante para famílias que convivem com a rotina de infusões frequentes do fator VIII, tratamento atualmente utilizado na rede pública.
Atualmente, o Emicizumabe já é oferecido pelo SUS a pacientes mais velhos, e o objetivo é estender, a partir do mês que vem, o benefício às crianças pequenas, reduzindo em mais de 90% os episódios de sangramento e as hospitalizações. A medicação também previne sequelas articulares e melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes, que passam a receber o medicamento de forma subcutânea e semanal, em vez de múltiplas aplicações intravenosas.
“É um passo imenso na humanização do tratamento. A aplicação subcutânea facilita o cuidado e devolve autonomia às famílias”, afirmou um dos profissionais presentes no evento no Hemorio.
Em Brasília, o anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento no Hemocentro da capital. Ele destacou que a proposta de ampliação já foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deu parecer preliminar favorável. A decisão final deve ser divulgada em novembro.
“Quando o SUS oferece um tratamento como esse, ele não está apenas garantindo acesso gratuito. Está oferecendo dignidade e conforto para as crianças e suas famílias”, afirmou o ministro.
Uma das pessoas que comemoraram o anúncio foi a brasiliense Joana Brauer, mãe de duas crianças com hemofilia grave. Ela conta que o filho é submetido a infusões intravenosas quatro vezes por semana. “Ampliar o medicamento para crianças vai transformar nossa rotina. Não é só sobre um tratamento mais fácil, é sobre conseguir aderir e ter uma vida mais leve”, afirmou.
Além do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, o Ministério da Saúde promoveu ações simultâneas em Pernambuco, Ceará, Paraná, Pará e Bahia, reforçando o compromisso com a inovação e a equidade no cuidado infantil.
Segundo a pasta, mais de mil crianças em todo o Brasil poderão ser beneficiadas com o Emicizumabe. O custo anual do tratamento, que varia entre R$ 300 mil e R$ 350 mil, será totalmente coberto pelo SUS.
“É um investimento alto, mas que gera um retorno social incalculável: menos internações, mais qualidade de vida e mais inclusão”, ressaltou Padilha.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.