Lindbergh quer um nome de consenso para substituir Derrite na relatoria do PL AntifacçãoFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Lindbergh argumentou que o último texto protocolado por Derrite, apresentado na quarta-feira, 12, "acumula erros conceituais, vícios constitucionais, insegurança jurídica, impacto financeiro severo". Diante disso, acredita o petista, "não há conciliação possível".
"A única solução responsável é adiar a votação e trocar imediatamente o relator, com um nome de consenso, retomando o texto técnico do governo. O País não pode enfrentar organizações criminosas com improviso legislativo", disse.
Desde que assumiu a função de relator, Derrite já apresentou quatro versões ao texto, cedendo em pontos de críticas ao governo. Mesmo assim, o Planalto mantém a visão negativa sobre texto e sustenta os principais argumentos, que perduram desde a primeira versão da minuta.
"O estrago nas finanças da segurança é ainda maior: o Ministério da Justiça estima prejuízo de R$ 360 milhões aos fundos federais", afirmou Lindbergh. "Derrite quer retirar recursos da Polícia Federal e da Receita Federal, desmontar a lógica de financiamento das investigações e ainda excluir o perdimento extraordinário previsto como inovação no texto original do governo, justamente o mecanismo que garante descapitalização rápida das facções."
Para o petista, o texto de Derrite é uma "colcha de retalhos". "É um texto que se iniciou com blindagem e inversão inconstitucional do pacto federativo, e que continua confuso, perigoso e ainda enfraquece o combate ao crime organizado com o enfraquecimento das instituições federais", disse.
Delegados, auditores e empresários do setor de combustível apontam no relatório de Derrite ataque à Receita Federal, inviabilizando o combate ao contrabando, a Operação Carbono Oculto e até ações como a das joias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na semana passada, Derrite conversou com o governo e com bancadas partidárias da Câmara para tentar garantir a votação do projeto. O esforço acabou frustrado, com governadores de direita pedindo o adiamento da votação. Sem consenso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, definiu que o projeto seria votado nesta terça-feira, 18.
"Quanto ao terrorismo, a gente quer fazer uma articulação ampla para derrotar esse destaque", declarou Lindbergh. "Eu acho que a gente tem votos para derrotar esse tema do terrorismo. Vamos lutar para isso."
Lindbergh acrescentou: "O fato é que esse tema do terrorismo é central. A gente vai ter uma estratégia, a construir com partidos do centro, para derrotar esse destaque na hora da votação". O líder do PT também disse que a bancada está pronta para votar o projeto nesta terça-feira, 18, mas reivindicou que o relator, Guilherme Derrite (PP-SP), apresente o seu 5º parecer com antecedência.
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