Segundo Kassab, Lula e o PT têm dificuldade de lidar com o tema segurança públicaAntonio Cruz / Agência Brasil

Nova York - O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, criticou as ações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos contra o Brasil. Na sua visão, ao contrário, ele ajudou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quarta-feira, 19, Kassab reforçou a intenção do PSD de apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se o chefe do Executivo estadual for candidato.

Segundo Kassab, Lula só não sairia candidato se tivesse uma posição "muito desvantajosa". Há três meses, a posição de Lula era "difícil", mas o tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, deu ao petista a oportunidade de defesa de soberania, avaliou.

"O presidente Trump tem uma política comercial global pra todos os países, mas na hora que ele se referiu ao Brasil e politizou um pouco. O Eduardo Bolsonaro errou, colocou fermento no discurso do presidente (Donald) Trump. Ele deu ao Lula o discurso que ele precisava naquele momento", disse Kassab, a uma plateia de executivos e investidores estrangeiros, durante evento do Bradesco BBI, em Nova York, nos Estados Unidos. "Lula se recuperou e ficou numa posição até de vantagem", acrescentou

No entanto, depois, o tema da segurança, na esteira da megaoperação policial no Rio de Janeiro, ganhou relevância e mudou o quadro. "O PT e o próprio presidente Lula têm muita dificuldade com o tema. Aí, a gangorra mudou de novo e hoje eu tenho a impressão que o cenário é muito mais favorável para a gente", disse.

Para o presidente nacional do PSD, o tema segurança é a principal "prioridade" e "agonia" da sociedade brasileira e vai estar na pauta das eleições de 2026. Ele disse ainda que "há dois anos" não anda na rua, ao evidenciar a preocupação com a segurança no País.

Ainda sobre o tarifaço de Washington contra o Brasil, Kassab disse que o presidente Trump entendeu que não estava punindo o presidente Lula, mas dando um presente ao petista já que a taxação melhorou a avaliação do seu governo. Além disso, o Republicano também percebeu que, com isso, estaria aproximando o Brasil da China. "É o sonho do Lula", disse.
Mais à esquerda
Kassab afirmou que um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será mais à esquerda, com medidas populistas e que podem agravar a situação fiscal do Brasil. Como exemplos, citou a consolidação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a implantação da tarifa de transporte zero para o Brasil inteiro.

"Lula vai tentar ser mais à esquerda do que sempre foi. Se tiver Lula 4, é porque o Tarcísio é governador de São Paulo", disse Kassab.

Para ele, com a experiência que Lula tem, o petista não vai querer comprar briga com o partido para fazer "grandes mudanças" e que não o vê fazendo reformas. "Você imagina o Lula fazer reforma administrativa pra cortar cargo? O PT cortar cargo?", indagou ele. E, com isso, Lula corre o risco de fazer uma gestão "mais do mesmo". A tarifa zero no transporte nacional pode ser o seu "novo bolsa família", avaliou. "E se precisar, mais uma generosidade aí", disse, sem dar detalhes. "Mas eu acho que nós somos favoritos, mesmo assim", acrescentou.

Além disso, as chances de que uma safra de governadores liberais sejam eleitos no próximo ano pode gerar dificuldade para Lula, na sua visão. Por outro lado, são "bons gestores" e que vão chegar "projetos" para disputar o Planalto em 2030.

O presidente nacional do PSD reforçou a confiança em uma candidatura de centro na eleição de 2026. "O centro vai definir a eleição, então, todos sabem, nós vamos ter o Lula como candidato, do outro lado trabalhamos para ter o Tarcísio, e quem avançar no centro vai ganhar. Portanto, o centro vai ter um papel muito importante e eu tenho muita confiança", disse.

Kassab ainda criticou o padrão da política brasileira. Há muito perfil de "rede social" e pouco político por vocação. "Nós temos um padrão na política brasileira que não é o adequado. Nós vivemos nesse mundo de rede social com um excesso de representações dentro do Congresso Nacional que não são da política", disse.

Ele também criticou o padrão moral da classe política. "Nós temos também um número grande de parlamentares que, infelizmente, não tem o padrão moral que a gente gostaria", afirmou.

Para Kassab, o principal problema do Brasil é político, e que as privatizações também passaram a ser um instrumento político no Brasil. "Com uma boa política, você resolve tudo", avaliou. Ele também disse ver espaço para avançar com o voto distrital misto em 2026 para entrar em vigor em 2030.