Motorista foi retirado desmaiado da carretaReprodução / TV Globo

O motorista Dener Laurito dos Santos, de 52 anos, que parou uma carreta na pista externa do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, alegando ter sido assaltado e que havia uma bomba na cabine do veículo, confessou à Polícia Civil nesta quarta-feira (19) que tudo não passou de uma história inventada por ele. A rodovia ficou bloqueada por mais de 5h e Gate foi acionado

Segundo o delegado Nico Gonçalves, secretário interino da pasta de Segurança em São Paulo, a confissão de Dener aconteceu após o motorista ser confrontado pela polícia, que apontou inconsistências na versão que ele dava sobre o crime.

"Foi quando ele confessou, e disse que gostaria de chamar a atenção da categoria. Ele mesmo fez a bomba falsa, se amarrou e jogou a pedra contra o caminhão", afirmou Nico Gonçalves.

Ainda de acordo o delegado, as investigações continuam para esclarecer se o motorista agiu sozinho ou com a ajuda de outras pessoas.
"Ele diz que fez tudo sozinho, mas ainda estamos averiguando", apontou.
"O homem foi indiciado por falsa comunicação de crime, conforme o artigo 340 do Código Penal, após confessar em depoimento que ele próprio produziu o simulacro de bomba", informou a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP), em nota.
"As investigações continuam sob responsabilidade da DISE de Taboão da Serra para o completo esclarecimento dos fatos e a devida responsabilização criminal do indiciado", acrescentou o comunicado.
Relembre o caso
O caminhão atravessado na pista paralisou o Rodoanel Mário Covas, na região de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, por mais de 5h. O motorista estava com as mãos amarradas, afirmando que havia sido sequestrado e que havia uma bomba no veículo.
Dener Laurito dos Santos é natural de Ribeirão Pires e trabalha para a transportadora Sitrex. Ele disse aos policiais que havia feito uma entrega no Acre e voltava para a matriz da Sitrex, em São Bernardo do Campo, quando foi abordado por três criminosos, por volta das 6h do dia 12 de novembro.

Na altura do quilômetro 45 do Rodoanel, os suspeitos o obrigaram a atravessar o veículo na pista e bloquear a via, segundo o homem. Ele teve as mãos amarradas e foi deixado sozinho na cabine do caminhão.

O motorista conseguiu entrar em contato com o Centro de Controle Operacional da rodovia e relatou que havia sido sequestrado e que os criminosos haviam deixado explosivos na carreta.
Devido aos supostos explosivos que estavam no caminhão, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar foi acionado e chegou ao local por volta das 9h. Cerca de uma hora depois, um dos especialistas da equipe identificou que o artefato não estava preso a Santos e conseguiu retirá-lo do veículo.

O motorista chegou a desmaiar e estava em estado de choque, mas foi colocado em uma ambulância e levado para o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, onde recebeu atendimento e foi liberado.
Os policiais não demoraram para perceber que o explosivo era falso, de acordo com Gustavo Packer Mercadante, comandante do Batalhão de Operações Especiais, que abriga o Gate.
"Era até meio tosco, batendo o olho mais de perto já deu para perceber que não era uma bomba", disse Mercadante. Segundo o policial, o simulacro de bomba foi feito a partir de um galão d’água, dois tubos de aerossol e papel alumínio.
O que é o Rodoanel Mário Covas?
O Rodoanel Mário Covas é uma grande via de contorno que circunda a Região Metropolitana de São Paulo, com o objetivo de desviar o tráfego de caminhões e veículos pesados das principais rodovias que entram na capital.
Dividido em trechos (Oeste, Sul, Leste e Norte), o Rodoanel conecta importantes rodovias estaduais e federais, facilitando o transporte de cargas, reduzindo congestionamentos urbanos e contribuindo para a melhoria da mobilidade e da qualidade do ar na cidade de São Paulo.