Presidente-designado da COP30, embaixador André Corrêa do LagoFabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
COP30: Países ameaçam bloquear projeto de acordo considerado pouco ambicioso
Presidente Lula defende a elaboração de um 'mapa do caminho' para acelerar a transição energética desde o início da conferência
Mais de 30 países estimaram insuficiente, nesta quinta-feira (20), o projeto de acordo apresentado pela presidência brasileira da COP30 e pediram a inclusão de um roteiro para abandonar as energias fósseis, segundo uma carta divulgada pela delegação colombiana.
O presidente da conferência, o diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, está sob pressão dos quase 200 países reunidos em Belém desde a semana passada para elaborar um texto capaz de obter um consenso, segundo as regras das COPs.
Seu último rascunho de texto, consultado nesta quinta-feira pela AFP, não menciona os combustíveis fósseis.
"Estamos profundamente preocupados com a proposta atual, que é de pegar ou largar", escreveram Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha e outros países em uma carta proporcionada pela delegação colombiana em Belém e à qual a AFP teve acesso.
A França e a Bélgica confirmaram sua adesão ao documento. "Devemos-lhes honestidade: na sua forma atual, a proposta não cumpre as condições mínimas para um resultado crível nesta COP", continuam os países.
"Não podemos apoiar um texto que não inclua um roteiro para uma transição justa, ordenada e equitativa para a eliminação dos combustíveis fósseis", afirmam esses países na véspera do encerramento oficial da COP30.
A produção de petróleo, carvão e gás, responsáveis em grande medida pelo aquecimento global, voltou fortemente ao debate em Belém, apesar de ser um tema que parecia impossível de ser retomado desde a primeira chamada na COP28 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, há dois anos.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, defende a elaboração de um "mapa do caminho" para acelerar a transição energética desde o início da conferência.
Contudo, segundo um negociador que falou em condição de anonimato, China, Índia, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia rejeitam categoricamente essa proposta.

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