Jair Bolsonaro foi preso preventivamente, neste sábado (22)Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A mulher de Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro, usou as redes sociais para compartilhar um versículo bíblico pouco depois que o marido foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), na manhã deste sábado (22). Além dela, outros apoiadores do ex-presidente se manifestaram sobre a prisão.
Nos Stories, do Instagram, Michelle transcreveu o capítulo 121 do livro de Salmos, da Bíblia. "Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre", escreveu ela, que acrescentou: "Confio no Senhor".
Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tentando concluir o que Adélio Bispo, o homem que esfaqueou o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018, começou.
Na publicação, o deputado chama Moraes de psicopata e disse que ninguém normal pode afirmar que Bolsonaro, com a saúde fragilizada, possa fugir.

"Ninguém normal pode dizer que um idoso, sequestrado em sua residência, cercado por dezenas de capangas da gestapo alexandrina, com a saúde totalmente debilitada e a necessidade constante de acompanhamento hospitalar devido à tentativa de assassinato de um ex-integrante do PSOL, possa fugir. Ninguém normal pode chamar uma vigília de oração de reunião ilícita que compromete a ordem pública. Esses são argumentos que apenas um psicopata pode usar ou aceitar", afirmou.
O parlamentar reafirma que o objetivo de Moraes é matar o ex-presidente e "terminar o serviço que a esquerda já começou”, além de se referir ao ministro do STF como "capanga" e o acusar de fazer o "serviço sujo do regime de exceção que visa tomar o poder e eliminar completamente a oposição política no Brasil".

"A diferença entre Alexandre e Adélio é apenas dos meios disponíveis para cometer o assassinato. São dois pistoleiros de aluguel, a serviço de criminosos que sequestraram o poder no Brasil", escreveu o filho do ex-presidente.
Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que está atualmente nos Estados Unidos, está proibido de se comunicar com o pai desde o dia 18 de julho, por determinação do ministro.
Carlos Bolsonaro (PL-RJ), também filho do ex-chefe do executivo, afirmou que a detenção do pai faria parte de uma "orquestra" montada para "neutralizar" Bolsonaro politicamente.
Segundo ele, haveria uma tentativa inicial de conduzi-lo à prisão domiciliar como forma de "transferir sua força e seu capital político para algum candidato do sistema, sem grandes desgastes". Como isso não teria prosperado, o vereador disse que o plano avançou para uma fase "mais humilhante", com a prisão preventiva, que classificou como um recado explícito para que o ex-presidente "abra mão de sua força ou morra sozinho, jogado numa cela".
O parlamentar ainda teceu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem atribui "falta de condições políticas para uma reeleição". De acordo com ele, o petista teria se desgastado com integrantes do Supremo por não priorizar a retirada de sanções impostas pelos Estados Unidos a um aliado, optando por "manobras eleitorais", o que, na visão dele, teria criado "rachaduras no sistema".

O vereador afirmou ainda que esse cenário teria levado a uma tentativa de construção de uma "direita permitida", capaz de atender aos interesses de grupos de poder sem ameaçar "esquemas espúrios".
Ele também apontou "articulações obscuras" envolvendo Venezuela e o Comando Sul dos Estados Unidos, afirmando que ambos seriam peças em um "tabuleiro geopolítico" que incluiria o Brasil de forma "visceral".

"Dentro dessa lógica implacável, o objetivo não muda: querem Jair Bolsonaro enterrado vivo. Ou morto, como já tentaram. Tudo para que a democracia das cartas marcadas e do teatro das tesouras volte a funcionar como sempre funcionou antes da ruptura que a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 representou para os esquemas estabelecidos", escreveu.
No X, antigo Twitter, o advogado e assessor do ex-presidente, Fábio Wajngarten, se pronunciou, afirmando ser "inacreditável" a prisão preventiva decretada ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. "É inacreditável. Num sábado. Com estado de saúde totalmente comprometido. Vergonhoso. 26 é logo ali", escreveu Wajngarten, que, em seguida, publicou um vídeo.
"O que aconteceu hoje é uma mancha pétrea na história do Brasil. [...]  O presidente, na manhã de hoje, acordou com a Polícia Federal às 6h na casa dele, que o levou através de uma medida de prisão preventiva para a sede da Polícia Federal em Brasília. É uma mancha terrível nas instituições é uma vergonha e eu espero que num futuro bem próximo isso seja revisto e o Brasil retorne ao seu caminho civilizatório e seu caminho onde as instituições não se coloquem acima do que a Constituição prevê", disse.
Também no X, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) fez uma série de publicações e chegou a chamar o ministro Alexandre de Moraes de "psicopata de alto grau". "Se é verdade que o motivo da prisão preventiva de Jair Bolsonaro foi por causa da convocação do senador Flavio Bolsonaro para uma vigília de oração, realmente o Alexandre de Moraes é psicopata de alto grau", escreveu.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou que a prisão de Bolsonaro é "mais uma injustiça colossal", em publicação feita no X. No post, ela também classificou como "brutal" a decisão do ministro Alexandre de Moraes. "E a justificativa? A vigília convocada por seus aliados. Bolsonaro é inocente e a sua prisão põe em risco a vida do maior líder da direita", disse.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a prisão. "Prender preventivamente quem já cumpre domiciliar e está debilitado é um abuso que viola a lógica jurídica. Fazer isso num sábado, com o Congresso desmobilizado, revela um viés político claro e tentativa de evitar escrutínio", escreveu o aliado do ex-presidente na rede X.

Segundo o senador, "justiça não é ferramenta de conveniência - é princípio, e está sendo distorcido". "O que não entenderam é que não se elimina um sentimento: quanto maior a arbitrariedade, mais forte se torna nossa determinação de lutar por justiça diante de tantas injustiças e perseguições. Que Deus abençoe Bolsonaro e o Brasil."
A senadora Damares Alves (PL) lamentou a prisão e pediu para que a Câmara dos Deputados vote a anistia o mais rápido possível. "Infelizmente Alexandre de Moraes fez o que ameaçou a fazer o tempo todo. Espero que a Câmara dos Deputados vote imediatamente a anistia", escreveu no X.
*Com informações de Estadão Conteúdo.