Pediatras mobilizam o país por maior presença na atenção primária do SUSPixabay

Pediatras de diversas regiões do Brasil vão ocupar ruas e praças neste domingo (30) para reforçar um pedido que, segundo a categoria, é urgente: ampliar a participação desses especialistas na Atenção Primária à Saúde. A mobilização, articulada nacionalmente, também inclui o Rio de Janeiro, onde o encontro está marcado para o Posto 5, na praia de Copacabana, a partir das 10h. A ação é organizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em parceria com a Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj).
Com o mote “Pediatra na Atenção Primária: cuidado desde o primeiro contato”, os atos simultâneos pretendem chamar a atenção de gestores públicos e da população para a importância de inserir pediatras de forma efetiva nas equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF). A categoria afirma que a presença desses profissionais no primeiro nível de atendimento do SUS é essencial para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes de maneira contínua.
O debate ganhou força após dados de 2023 mostrarem um descompasso: enquanto o país registrou cerca de 2,5 milhões de nascimentos, a rede pública realizou 1,9 milhão de consultas de puericultura. Na prática, menos de uma consulta por criança no ano. “Estamos falando de garantir o que a Constituição já determina: prioridade absoluta para crianças e adolescentes. Isso precisa sair do papel e virar política pública”, afirma Edson Liberal, presidente nacional da SBP.
A mobilização tem como base a “Carta de Recife”, documento em que entidades pediátricas defendem a inclusão de até 4 mil pediatras na Atenção Primária do SUS. O texto destaca que o aumento da sobrevivência de crianças com doenças crônicas e a demanda crescente por cuidados especializados exigem que o acompanhamento comece já na porta de entrada do sistema, reduzindo encaminhamentos desnecessários e fortalecendo a coordenação do cuidado.
No Rio, a concentração será em Copacabana, mas manifestações estão previstas em várias capitais e cidades do interior, todas com o mesmo objetivo: reforçar que o cuidado pediátrico integrado ao SUS começa no primeiro contato — e pode mudar trajetórias de vida.