A conselheira tutelar de Mangabeira, Veronica Oliveira, que acompanhava o caso de Gerson Machado, morto neste domingo (30) após pular a jaula dos leões no Parque da Bica, em João Pessoa, Paraíba, afirmou que "era visível o transtorno mental" do jovem. Segundo ela, o Estado não ofereceu o tratamento correto ele e agora, o sentimento é de revolta.
Conselheira do jovem que morreu ao invadir jaula de leoa afirmou que todos os seus pedidos para que ele recebesse laudos comprovando seu transtorno mental foram negados pelo Estado. pic.twitter.com/6L9NiLFhDc
"Um jovem é atacado por uma leoa. Ele é atacado porque ele adentra a jaula do leão. Hoje, ele tinha 19 anos. Durante oito anos, dos 10 aos 18 anos, ele foi atendido pelo Conselho Tutelar de Mangabeira e, embora o Conselho solicitasse laudos, porque era visível o transtorno mental, o Estado dizia que ele só tinha um problema comportamental. Será que alguém com problema comportamental entra na jaula do leão, joga paralelepípedo no carro da polícia? Não, isso não é só um problema comportamental", disse, em vídeo publicado nas redes sociais.
Veronica detalhou que Gerson passou por todos os acolhimentos institucionais da cidade. Segundo ela, o Conselho Tutelar da região "lutou muito" tentando garantir os direitos dele. "O meu sentimento hoje é de revolta, porque eu nunca me calei durante os absurdos de violações de direitos que esse cidadão, que amanhã vai ser sepultado, sofreu. Ele era para estar em tratamento. Ele não precisava estar atrás das grades. Ele precisava estar em tratamento psiquiátrico."
Entenda o caso
Vídeos publicados pela página VoxPB mostram o momento em que Gerson desce pelo tronco de uma árvore, em direção à leoa, identificada como Leona. Em seguida, o animal aparece com manchas de sangue no corpo.
A facilidade com que o homem se aproximou da área dos animais expôs falhas de segurança do local, apesar da barreira de 8 metros de altura que separa a área dos animais do público visitante. Em nota, a administração do Parque da Bica lamentou o caso e informou que o espaço "permanecerá fechado para visitação até a conclusão das investigações e dos procedimentos oficiais".
Em outro comunicado, o zoológico ressaltou que "em nenhum momento foi considerada a possibilidade de eutanásia" do animal. "A equipe da Bica, médicos veterinários, tratadores e técnicos está dedicada integralmente ao bem-estar da Leona, garantindo que ela fique bem, se estabilize emocionalmente e retome sua rotina com segurança", diz o parque.
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