O corpo de Gerson de Melo Machado, conhecido como "Vaqueirinho de Mangabeira", foi enterrado na tarde desta segunda-feira (1º) no Cemitério de Cristo, em João Pessoa, Paraíba. Ele morreu aos 19 anos após invadir a jaula dos leões no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, no último domingo (30), e ser atacado pelo animal. A prima do jovem, Ícara Menezes, afirmou que a família não o abandonou, mas por ele já ser maior de idade e nunca ter tido tratamento, não era possível fazer muito por ele.
"Já temos um histórico de problemas psicológicos do tio Lúcio, passou 25 anos internado. Então, o histórico da família já é bem avançado. Qualquer pessoa que acompanhasse ele iria entender, porque existem todos os trâmites para poder chegar naquela pessoa que é doente. Então, por aí, ele já teria de ter que ter o tratamento. Ele nunca teve", disse Ícara, em entrevista à imprensa.
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Ela também destacou que familiares tentaram marcar presença, mas disse que o Estado foi omisso. "Uma pessoa neurodivergente, já grande, 16 passagens, nunca teve tratamento, o apoio que teve foi assistente social e o diretor do presídio, foram as duas únicas pessoas nessa passagem dele que ele pôde conversar, abraçar e se sentir amado. Então, a gente não podia fazer muita coisa. Quem poderia fazer era o poder público. Nós não podíamos. Como família, a gente fez o que pôde. Mas segurar uma pessoa assim, dentro de casa, o tempo todo, todo mundo que tem uma pessoa neurodivergente dentro de casa sabe como é."
'Ele não era um marginal'
Ícara também comentou o histórico criminal de Gerson e disse que ele até preferia ser detido, pois segundo ele, não sofreria o risco de ser agredido na rua. "Das vezes que ele foi preso, a maioria era por jogar pedra na viatura, porque ele queria se sentir seguro. Às vezes, ele falava: 'Se eu estiver preso, as pessoas na rua não dão em mim, porque eu peguei tal coisa em troca do almoço, e fulano deu em mim'. Ele sempre tinha medo das pessoas darem nele", explicou.
A prima do "Vaqueirinho" disse, também, que ele não era um marginal. "Ele era um menino neurodivergente que tinha mentalidade de 4 anos. 'Ah, mas ele roubava'. Ele roubava sim. Alguém mandava ele roubar e ele trocava por comida. Ele nunca roubou para vender um celular, nunca teve o dinheiro daquele roubo. Muitas das vezes, ele estava roubando pequenos furtos para trocar por um biscoito, um pirulito", ponderou.
Como foram a invasão e o ataque
De acordo com a prefeitura, o jovem invadiu o parque "de maneira rápida e surpreendente". "Embora as equipes de segurança tenham tentado impedir a ação, o homem agiu de forma rápida no acesso ao recinto e veio a óbito em decorrência dos ferimentos provocados pelo animal", informou.
O comunicado explicou também que a perícia da Polícia da Civil indicou que o rapaz agiu em possível ato de suicídio. O caso está sendo investigado pela polícia e também internamente pela Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que "Vaqueirinho" entra no recinto da leoa pela parte lateral e desce pela árvore. Na sequência, ele é atacado pelo animal.
O que aconteceu com o parque
Assim que o ataque foi constatado, o parque foi imediatamente fechado "para os procedimentos de segurança e remoção do corpo". Mais tarde, em outro comunicado, o parque informou que ficará fechado para visitação até a conclusão das investigações e dos procedimentos oficiais.
"Trata-se de um episódio extremamente triste para todos, e manifestamos nossa solidariedade e sentimentos à família e aos amigos do homem", afirmou. "Reforçamos que o parque segue normas técnicas e padrões de segurança rigorosos, e estamos colaborando integralmente com todos os órgãos responsáveis para o esclarecimento dos fatos".
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