Bolsonaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em BrasíliaMateus Bonomi / AFP
Laudo da PF aponta que Bolsonaro soluça até 40 vezes por minuto
Ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado
O laudo pericial da Polícia Federal (PF) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresenta um quadro de "soluços incoercíveis", chegando a registrar entre 30 e 40 episódios por minuto. O documento, assinado por quatro médicos peritos da corporação, serviu de base para a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorizou a realização de uma cirurgia de urgência, mas negou o pedido de transferência para o regime de prisão domiciliar.
"Notou-se que os episódios de soluços permaneceram durante todo o exame sem qualquer remissão ou melhora, com frequência de aproximadamente 30 a 40 episódios por minuto", diz trecho do laudo.
O ex-chefe do Executivo cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. De acordo com os peritos criminais federais, o estado de saúde de Bolsonaro registrou um agravamento nos últimos sete meses. A frequência incessante dos soluços aumentou a pressão intra-abdominal, o que provocou o surgimento de hérnias inguinais bilaterais (na região da virilha).
Além das hérnias, o laudo aponta que o ex-presidente sofre de refluxo gastroesofágico e sinais de aspiração pulmonar, o que tem causado tosse crônica e severa privação de sono. A junta médica recomendou uma herniorrafia inguinal convencional bilateral.
Apesar da recomendação médica de que a cirurgia seja realizada "o mais breve possível" para aliviar o sofrimento físico, Moraes destacou que o laudo classifica a intervenção como eletiva, ou seja, programada e sem risco de morte iminente.
Com base nisso, o magistrado negou o pedido de prisão domiciliar. Em sua decisão, Moraes afirmou que a assistência à saúde deve ser garantida dentro do sistema prisional e que "o atendimento médico deve se adequar aos horários da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) e não o contrário".

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