Sargento Samuel de Araújo Lima não teve outra saída e aparou os pêlos da região por receio de novas sançõesReprodução/ internet
"Tem um oficial de operações e o oficial que está na rua e fiscaliza ele. Como militar, ele fiscaliza a questão da segurança pública e a questão do militarismo. E na questão do militarismo, uma capitã passou de fiscalização, ele estava no serviço extraordinário, que é chamado PJES (Programa de Jornada Extra de Segurança), que é um complemento, quando um policial tira um serviço extra, como uma hora extra. (...) E olhou para o bigode dele e disse que tinha passado o limite", contou ao portal "G1".
A Polícia Militar afirma que a punição disciplinar está conforme o Suplemento Normativo (Sunor) nº 68, de 26 de outubro de 2020, que regulamenta os padrões de apresentação pessoal dos militares estaduais.
De acordo com a norma, o bigode é "permitido desde que seja discreto e aparado, não ultrapasse a linha dos lábios e conste na carteira de identidade do militar". O texto também determina que ele deve ser aparado acima da linha do lábio superior.
A PMPE explicou que a punição é de caráter administrativo e não afasta o militar do serviço ativo. O procedimento disciplinar, segundo a corporação, observou os princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurando que o sargento pudesse acompanhar e contestar o processo.
"Foi uma surpresa. Ele teve que aparar o bigode e teve que explicar que não foi informado a ele, essa alteração, né, porque são muitas legislações que altera no Sunor da polícia", revelou o advogado.
A defesa informou que após a notificação feita pela capitã, o sargento apresentou uma defesa, que foi analisada, mas não foi acolhida pela corporação. Enquanto o processo não for concluído, ele pode continuar exercendo suas funções normalmente.
"Ele foi punido com três dias. Só que essa punição ainda não foi cumprida porque existe o recurso e aí tem ele tem que fazer um recurso, a gente tem prazo, que é um recurso de reconsideração", disse.
Ainda de acordo com a defesa de Samuel, o policial, com o mesmo bigode, foi recebido e parabenizado pelo comandante-geral da PM, coronel Ivanildo Torres, depois de um gesto de bravura. Na época, ele havia prendido um suspeito de latrocínio em flagrante enquanto estava a caminho do trabalho.
O episódio ocorreu em 2024, quando o policial seguia para o batalhão, presenciou o crime, deu voz de prisão ao suspeito e apreendeu uma arma de fogo que estava com ele.
"Ele estava com esse mesmo bigode na sala com o comandante. Foi elogiado por esse fato (...). E aí, quando foi agora, por conta de um simples bigode, do tamanho de bigode, o mesmo bigode que ele sempre teve a vida toda, a capitã o notificou", concluiu o advogado.



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