Diretor da ANP, Pietro Mendes, diz estar atento ao conflito no Oriente Médio por dependermos de combustíveis externosTomaz Silva / Agência Brasil
ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor
Volatilidade no preço dos combustíveis obrigou a agência a usar mais estoques e acionar a Petrobras para reforçar a oferta
O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes, reiterou nesta quarta-feira, 8, a mensagem que o abastecimento de combustíveis está garantindo para o mês de abril, mesmo em meio às instabilidades geradas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
"Com relação a suprimento, nós não identificamos para o mês de abril nenhum risco de abastecimento no Brasil. Obviamente, temos que acompanhar a evolução dos conflitos porque é fato que temos uma dependência externa de GLP e diesel", disse durante o primeiro dia do Fórum Brasileiro de Líderes em Energia, no Rio de Janeiro. "Nossas refinarias apresentam estabilidade na produção de diesel S10 e S500", complementou.
Mendes destacou que o aumento da volatilidade de preços desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, levou a ANP a flexibilizar exigências de estoque e a acionar a Petrobras para reforçar a oferta, especialmente após relatos de dificuldade de acesso ao produto no Rio Grande do Sul.
"No preço de paridade de importação (PPI) houve aumento significativo, com a gasolina registrando alta de 65% no preço de importação, enquanto o diesel subiu 86%. A ANP instituiu ferramentas como o monitoramento dos estoques de combustíveis, o painel da logística do abastecimento nacional e o sistema de sobreaviso, para acompanhar, passo a passo, a evolução dos estoques e da demanda no país", detalhou.
Já no mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP), o diretor defendeu a atuação da agência na abertura do ofício para apurar possíveis práticas de preços abusivos no leilão realizado pela Petrobras. "O GLP tem, além de tudo, um componente social dentro da política pública do Gás do Povo e, adicionalmente, é uma estratégia alinhada ao ODS-7 da ONU."
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