Deputado Federal Bebeto durante encontro com as principais lideranças do Sul Fluminense na Comissão de Viação e Transportes (CVT), na Câmara dos DeputadosDivulgação/Ascom deputado federal Bebeto

O cenário de abandono da BR-393 tem deixado como rastro a insegurança e acidentes fatais. A situação da "Rodovia do Aço" como é conhecida, mobilizou, nesta terça-feira (14), prefeitos do Sul Fluminense a uma audiência na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados (CVT), onde cobraram providências imediatas para a infraestrutura, fiscalização e manutenção da via de 200 km de extensão.
Em resposta à pressão política e judicialização do caso, o Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes (MT), disponibilizou auxílio emergencial de R$ 30 milhões para tirar a rodovia do limbo.

Segundo o deputado federal Carlos Roberto Rodrigues (PP-RJ), conhecido como "Bebeto", que acompanha de perto o problema, o recurso será destinado para priorizar intervenções na malha viária, implementação de fiscalização por meio de radares de velocidade e sinalização, a fim de "frear a escalada de acidentes e mortes".

"A BR está em completo abandono, sem nenhuma fiscalização dos transportes de carga e monitoramento por meio de radares de velocidade, o que possibilitou o maior fluxo na via e de forma desordenada, sem segurança, com cada condutor fazendo a sua própria lei. O resultado é a depredação da malha viária, que apresenta muitos buracos, dada pelo peso de cargas que passam por ali a cima do limite permitido e acidentes frequentes por imprudência, alta velocidade e falta de monitoramento. A quebra de contrato com a K-Infra não previu a concessão imediata de outra concessionária, o que deixou a Rodovia num vazio de gestão e fiscalização a quase um ano", disse Bebeto.

Confira os principais pontos da entrevista realizada com o parlamentar:

Deputado, o senhor foi o autor do requerimento desta audiência. Qual o saldo desse encontro para a população do Sul Fluminense?

"O saldo é de ação concreta. Não viemos aqui apenas para lamentar o estado da BR-393, que todos sabemos ser crítico. Saímos com o compromisso do Ministério dos Transportes de um aporte de R$ 30 milhões. Isso não é promessa, é recurso para asfalto, para sinalização e para a volta dos radares. Precisamos salvar vidas hoje, não daqui a dois anos".
A população teme que, após os reparos, a estrada volte a ficar abandonada enquanto aguarda o processo de licitação de nova concessionária. O governo prevê disponibilização imediata de nova concessionária para assumir o trecho?

"Três empresas vão assumir em caráter emergencial a concessão da BR-393, conforme informado pelo ministro dos transportes George Santoro. Elas vão atuar como "tampão" para fazer a manutenção operacional, preservação e segurança da via. Paralelamente, tramita o processo de licitação de novo contrato para concessão fixa que foi dado prazo até dezembro de 2026 para fechamento desse processo."

A solução das empresas "tampão" não corre o risco de ser apenas paliativa?

"É uma solução de continuidade para contingenciamento imediato e necessário para que o dinheiro gasto também não seja em vão. O erro do passado foi deixar o contrato sangrar até a rodovia ficar intransitável. Uma quebra de contrato brusca sem planejamento de substituição rápida. Agora, essas empresas entram com uma missão clara: manter o que foi consertado e garantir o socorro médico e mecânico. Elas cuidam da vida e da operação enquanto o Governo Federal prepara um edital licitatório robusto, com uma empresa que tenha saúde financeira para investir de verdade."

Qual o próximo passo para garantir que esses radares e as obras saiam do papel imediatamente?

Acompanhamento de perto e constante. Já temos o cronograma do DNIT e o compromisso do Ministério. Agora, o papel da comissão na Câmara e dos prefeitos é fiscalizar a execução. Não permitiremos que esse recurso se perca em burocracia. A BR-393 é o coração logístico da região e precisa voltar a ser uma estrada segura para quem trabalha e circula por ela.

O senhor mencionou cronograma já firmado. Qual o prazo já estabelecido para finalização das medidas de urgência?
"Foi dado prazo de um mês para que essa medida de urgência seja entregue, ou seja, até 14 de maio. Eu estarei fiscalizando pessoalmente essa operação. No dia 24 de abril o ministro dos transportes e eu estaremos no local para ver como avaliar o que está sendo feito e o que tem a fazer."

A audiência
Segundo documento dos presentes concedido pelo deputado Bebeto, autoridades, prefeitos e lideranças estiveram na audiência da comissão. Do lado do Poder Executivo e Judiciário estavam representantes técnicos: MT, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Procuradora Luciana Gadelha do Ministério Publico (MPF) e representantes de entidades de representação empresarial e desenvolvimento regional do Rio de Janeiro.
Por Mariza Sabino