Ronaldo Caiado defende parceria com americanos e afirma que medida visa industrializar minerais estratégicos em GoiásReprodução / Redes Sociais

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar o acordo entre o governo de Goiás e representantes dos Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) rebateu as críticas nesta quinta-feira (23). O político afirmou que o petista é quem está "vendendo o Brasil".
"Quem tá vendendo é ele! É ele que está entregando tudo, ele não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil e nós estamos continuando a vender Pau Brasil desde a época da colônia, vendendo nióbio e terras raras pesadas", disse Caiado em conversa com jornalistas após uma agenda em Minas Gerais.
No dia 8 de abril, em entrevista ao ICL, Lula afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Caiado, ambos pré-candidatos à Presidência, estão entregando o país para os Estados Unidos. "Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo", declarou o presidente. "É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União."
Nesta quinta-feira, Caiado explicou o acordo firmado por Goiás com o governo norte-americano: "Ao invés de exportar apenas o mineral concentrado, eu vou poder, em Goiás, desenvolver a tecnologia capaz de separar os minerais", diz o ex-governador. "Se eu, amanhã tiver uma tonelada de terras pesadas, o valor é mínimo. Se eu puder vender amanhã 20g de térbio, ou de disprósio, eu vou enriquecer o meu estado, vou trazer tecnologias, vou aumentar renda, vou ampliar com isso", afirmou.
Goiás é o estado em que opera a Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil e que atualmente exporta toda a sua produção para a China. Em fevereiro, a empresa recebeu aporte de US$ 565 milhões do governo americano para extração de terras raras leves e pesadas. O acordo foi firmado no dia 18 de março deste ano. Em nota, o governo de Goiás informou que a "celebração do memorando está plenamente respaldada nas competências constitucionais do Estado".
Como mostrou o Estadão, para integrantes do governo federal, o memorando de entendimentos é inconstitucional e até inócuo, além de dar favorecimento a empresas americanas, como no caso do controle e guarda dos dados de eventual levantamento do subsolo e o mapeamento dos minerais críticos existentes no país. Esses elementos são ingredientes essenciais na fabricação de motores elétricos eficientes, turbinas de energia eólica, telas de TV, imãs de discos rígidos e circuitos eletrônicos de celulares.